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Opia

 

 

A mais rara das preciosidades começa diminuta; frágil ao extremo do embaraço. Estranhamente, quase por admissão de cinismo cruel e falho de emoções, não raras vezes algo conspira para que se condenem certas gemas preciosas a muito mais do que pelejar contra incapacidades e fragilidades que nada mais são do que um iniciar de testamento vital.

 

Imperfeições.

 

Nascidas em nós. Logo após os primeiros sopros, soltos entre as lágrimas dos momentos que iniciam a existência.

 

Algo conspira, de facto. Para que nos primeiros anos o que é precioso, sem que seja humanamente possível aquilatar o seu brilho raro, subsista num limbo bizarro de dor e desilusão e onde cada hora que se esgota é vitoriosa. É como se a Natureza revelasse  arrependimento da sua criação e, num desvairo ciumento, quisesse macular uma obra que é única.

 

Por isto lhe guardo um profundo rancor. Um ódio insubmisso.

 

Mas a sobrevivência do que é raro e precioso é estranhamente virtuoso. Talvez uma bofetada sonora e dolorosa na face da sua criadora. Talvez para que seja possível ao olhar de um descrente como eu finalmente entender que as preciosidades inestimáveis crescem. Alongam-se ainda mais belas. Para meu espanto.

 

 

Cada nesga da minha submissão tem sido arrancada a frio por uma preciosidade sobrevivente das escarpas mais dolorosas. Em cada fraquejar meu, pessoal, que me assassina silenciosamente, se reflecte um rosto que necessito se mantenha a brilhar e de olhos imensos; para que eu consiga manter a memória da sua expressão passada agrilhoada na masmorra mais profunda e escura.

 

Creio que perante o que me é demasiado precioso me recuso a lutar. Ser realmente o primeiro a juntar o joelho com a terra e baixar a cabeça. Deixar que pedaços meus sejam arrancados e talvez usados como amuletos. 

 

Ou talvez seja uma revelação e admissão de luz que brilha no escuro.

 

Talvez. Mas pouco me importa.

 

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