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" A timidez, inesgotável origem de tantas infelicidades na vida prática, é a causa directa, mesmo única, de toda a riqueza interior." - Emil Cioran

 

 

É possível que outros sintam orgulho em algo feito por mim. Estranhamente, só no meio da multidão consigo aceitar este facto. Como se fosse necessário que esta parte de mim, sempre tão escondida e foragida, se misture com outros, receba o elogio espontâneo; sem que seja necessário lutar por ele.

 

Creio sinceramente na lógica fria que demonstra a necessidade de sentir o oposto para atribuição de valor. Valorizar o calor após sentir o frio; receber o ardor de um beijo após a sua ausência; apreciar companhia depois de pernoitar na mais absoluta e consentida solidão. Por muito que tente negar, são estes reflexos que respiram em mim. E me alimentam.

 

São fragmentos de lógica que alimentam o Caos mais primário que habita em tudo. Em nós. Em mim. Comunhão de palavras, olhares partilhados, ritmos obscuros aceites e venerados. Existem muitas estradas;  estas longe dos caminhos mais marcados pelos passos de todos os dias. Encostas escondidas onde moram outros animais e outra fé. Escuridão verdadeira e luz distante, como premonição.

 

E sinto-me parte de algo. Gente. Mesmo que diferente. O calor de tantas criaturas revela-se como absinto da alma: consumido sem pudor alucina a mente e a tentação de permanecer ali, para sempre. 

 

Esta é uma beleza negra. Oposta. Apenas partilhada pelo som e pelos olhos descritos nos espanto do fim de uma viagem.

 

Uns chamam-lhe vertigem escura e perigosa. A evitar se queremos seguir o caminho da virtude humana.

 

Outros é  o Caos libertador. Renascimento. Caminho de floresta escura.

 

Eu. Meu.

 

 

 

 

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