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As palavras escritas são como gestos e acções. Funcionam muitas vezes como caminhos dirigidos a mim onde sei poder encontrar abrigos. Sei do seu poder ancestral e quase magnânimo; sei da sua capacidade de rasgar, mesmo quando se vestem de bondade e generosidade.

 

Por vezes leio as palavras e consigo sentir-lhes sabores e desilusões. Como se não houvessem distâncias imponderáveis ou sequer necessidade de expressar outra emoção que não seja o silêncio de quem lê. E se fascina.

 

Ainda leio palavras escritas para me dilacerar, atiradas como pedras com a precisão de quem não tem arte ou engenho para o fazer. São as mais fáceis de evitar; um mero desvio de olhar e retornam ao desconhecido. São marteladas por copistas sem doutrina ou por artificies de reproduzir nada. Incapazes de entender que o insulto se tornou cabal na sua demonstração da minha eterna presença nos seus pensamentos.

 

Gosto, no entanto, de me fascinar nas palavras escritas naquele doce banho Maria da ironia de aparente desapego. São como vinho forte para os imoderados que sabem do seu intenso poder subversivo; são como adagas dos guerreiros mais astutos, aqueles que sabem que aquecendo a lâmina na chama esta rasgará muito melhor.

 

E depois? Depois são as palavras escritas com estranhas alquimias. Imaginadas por quem cintila brilhos que não me pertencem. Misturadas na mestria de quem cozinha pequenos pedaços de escuridão aqui ou ali. 

 

Ou então são as palavras escritas com sombras quando os dias deveriam ser de sol brilhante. Como esquissos genuínos da alma humana. Como gestos sensuais na escuridão. Como prazeres sôfregos de estranha química.

 

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