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https://www.jn.pt/mundo/interior/noa-17-anos-decide-morrer-apos-anos-de-depressao-por-abuso-sexual-10978719.html

 

,,,

 

"Lock all the doors!
Maybe they'll never find us
I could be sure, like never before, this time
Get on the floor!
Turn all the lights off inside
I could be sure, like never before, this time"

Noel Gallagher

...

 

Enquanto lia e relia a noticia eu queria dizer algo; expressar todo um mundo escuridão que conheço; recompor memórias e acenar com palavras a minha reacção ao fim da batalha de Noa. Queria.

 

E tudo o que consegui foi mergulhar em memórias. Não consegui conter os sons que saiam da minha garganta com a melodia escutada naquele dia, quando sucedeu a minha segunda queda. Alguém me disse nesses dias que esta era uma canção de pássaros e eu nunca quis que assim fosse. As palavras que cantei baixinho enquanto observava impotente a escolha de Noa não terminaram até estarem exaustas. Não eram uma canção de pássaros.

 

Existe um conhecimento e um reconhecer de razões. Sei de fundamentos e de cicatrizes. Sei até dos falhanços e resistência do corpo ao fim. Sei dos motivos; pelo menos sei dos meus porque os de Noa foram seus companheiros até ao fim. Reconheço as diferenças mas a semelhança do fim procurado.

 

Não sei nada sobre Noa. Reservei um pequeno borrão com a sua face e nome no meu catecismo de sombras. Sei do vazio absoluto. O meu. Das horas olhando a parede branca até que a mente se tornasse manca, um capacete sem visão a cobrir as ideias. E algo frio toma conta  de nós quando certas decisões são alavancadas na conclusão de que estamos sozinhos, que quem realmente importava partiu sem avisar. Quase se torna alegre a decisão tomada com a claridade do reconhecimento.

 

Reconheço uma intensa nobreza na decisão de Noa. Por vezes, raras vezes, somos insensíveis ao nosso próprio orgulho que nos comanda a ficar. Sangrar para nos sentirmos vivos não chega. Reconheço-lhe a libertação absoluta no fim  escolhido. Mesmo extinguido pela sua juventude e incapacidade de aniquilar o responsável dos seus motivos. 

 

Eu não vi deus ao pé da minha cama. Nem luzes brilhantes. As minhas recordações não são cantadas por pássaros. Mas não esquecerei o fim dos temores e principalmente não esqueço a paz absoluta sentida naquele momento. Existe arte escrita e desenhada no meu corpo para me lembrar dessa paz. Mesmo que não a consiga sentir.

 

Por Noa colocaria um joelho no chão e vergaria a face para o chão.

 

Por mim reconheço estar sempre em recuperação. Que o monstro se mantenha encantado e a dormir na escuridão.

 

 

 

 

 

 





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