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Falemos de Orgulho. Falemos de emoções.

 

Existe uma colossal diferença de Orgulho nas pessoas. Sempre que imagino emoções como absolutamente essenciais para a minha vida, o Orgulho é o mais intensamente necessário para sobreviver. Nada consegue definir as pessoas de forma mais drástica do que a sua capacidade  de Orgulho. Podemos ansiar tudo; podemos rezar a todos os deuses e reclinar os nossos espíritos a todas as terras prometidas, que nada se compara ao tolo sem Orgulho. Nada!

 

O Orgulho pessoal é uma dádiva nossa - da razão e da própria dor pessoal. Nasce de uma força estranha e muito pouco conhecida. Nasce das sombras de quem nos traí depois de anos de cega confiança. Ergue o nosso queixo para um olhar de raiva em frente; mesmo quando tudo falhou e somos, naquele preciso momento, criaturas pouco mais do que rastejantes. Deixa que saciemos a nossa sede de conforto e, se realmente nosso, mastiga esta nossa obscena necessidade de ser vitimas.

 

Nada se torna mais realista nas criaturas que sabem realmente combater de dentes cerrados. E mesmo quando as lágrimas, essa suposta emoção de fragilidade, tão pouco conhecida,  jorram, existe um travo sinuoso de Orgulho. É impossível explicar o êxtase de um pequeno triunfo que se transfigura no Orgulho. Creio que se esbatem todas as traições, todos os golpes e todas as desilusões. Um combatente que se mantém de pé mesmo com a chuva de golpes - porque muitas vezes o Orgulho envolve a razão e recusa-se a cair.

 

Mas a mais intensa diferença mora na incapacidade de tantas criaturas conseguirem gerar Orgulhos, e principalmente, resistir aos seus encantos. Conheço muitos que odeiam quem se orgulha porque se recusam a sair debaixo dos pés de amantes, maridos e esposas, filhos e filhas; recusam a a ideia de olhar sozinhos e decidir sós.

 

Para os que sempre se dignam com as suas virtudes de pacíficos entusiastas de um mundo pleno de entrega, seria importante que anotassem nos seus pequenos folhetos de virtude que existem os Orgulhosos e os estupidamente Orgulhosos.

 

Ser estupidamente Orgulhoso é ser estupidamente cego; tirano dos dias e convicto de uma superioridade ilusória. Convencido dos sentimentos em sua órbita como seus e devotos.

 

O estúpido Orgulhoso não vê - é uma toupeira cega e gorda de ilusão.

 

O Orgulhoso convicto conhece uma palavra como quem respira todos os dias. Como quem se ergue todos os dias e sabe e preserva o seu significado. Sabe do que fala a palavra Gratidão. 

 

Gratidão Orgulhosa é uma arte de auto punição consciente e por isso quem se orgulha verdadeiramente sabe que nunca será para todas as criaturas do universo. A Gratidão será sempre para uma muito reduzida minoria de criaturas que abrem as janelas da escuridão Orgulhosa. Creio que sim. Muito. Acho na capacidade de sentir um pingo de Gratidão perante alguém, uma genuína chicotada de humildade. Reconheço a Gratidão como o passo mais severo de um Orgulhoso intratável para não se confirmar estupidamente Orgulhoso.

 

E como tudo, Gratidão nunca será para a maioria. Será sempre e apenas para aqueles pequenos clarões que fazem a diferença. E são poucos. Tão poucos que se deveriam Orgulhar disso.

 

Eu Orgulho-me.

 

 

 

 

 


10 comentários

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Sarin 09.07.2019

Acredito o Orgulho Estúpido o mesmo que a Soberba.
A fímbria que separa o Orgulho da Soberba será, assim, definida pela Gratidão?

Não creio. O Orgulho tem base racional, sólida; a Soberba não passa de uma aspiração, de uma insuflação de ego que acaba naturalmente num rotundo flato.
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Fleuma 09.07.2019

Não disse ser a Gratidão a separação entre orgulho e soberba. Existem muitos outros elementos, mas escrevo sobre a Gratidão a um nível pessoal e por isso muito visceral. A capacidade de ter gratidão por algo, seja gesto seja palavra, é absolutamente essencial para mim. É pessoal e um processo catártico


A soberba deixa de ser uma aspiração quando gestos e pensamentos levam ao superar - uma criança que ultrapassou um processo demasiado doloroso para descrever e se manteve direita é um perfeito exemplo de soberba e necessidade de ego gigante. Infelizmente a soberba é uma arte mal nutrida e muito abusada.
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Sarin 09.07.2019

Não consigo associar soberba e superação, não enquanto derivação do orgulho. Por isso a digo aspirante e nada mais, por muitos e bons adjectivos com que a própria se adorne - e com eles naufrague.


Compreendo a escrita assim, e por isso me blindei na minha interpretação de Soberba.

A Gratidão é uma arte mal nutrida e pouco usada. Que cultivo cuidadosamente.
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Fleuma 09.07.2019

Aceito a sua incapacidade de associar uma e outra. Mesmo discordando consigo aceitar

Seja como for, creio que daria uma discussão muito interessante.
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Sarin 09.07.2019

Mesmo não estando sempre disponível, estou certamente aberta a tais discussões :)
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naomedeemouvidos 09.07.2019

Eu também me orgulho. Chorar, choro sozinha e em silêncio. Não sei se é orgulho. Na verdade, também posso chorar tão ruidosa e intensamente como rio e, nesse caso, sei que é gratidão.

Gosto muito de o ler. Às vezes choro, às vezes rio.
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Fleuma 09.07.2019

Um dos erros que mais lastimo e que deixou marcas inexplicáveis, foi a partir de um determinado acontecimento eu ter recusado voltar a chorar pelo que fosse. Um erro monstruoso e de um estúpido orgulho.

Não o faça por favor. Seja ele silencioso ou em ruido. Acredite que se sentirá orgulhosa disso e evitará danos extremos.

Faça-me então companhia, por favor. Pelo menos enquanto eu aqui permanecer. E saiba que o que escreve tem também uma força muito própria e que muitas vezes me diz mais do que pensa.

Abraço,
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naomedeemouvidos 09.07.2019

Uma amiga apresentou-me este lugar. Não mais deixei de o visitar :)

Obrigada. Uma boa semana.
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Gaffe 22.07.2019

Sempre considerei o meu orgulho como uma forma de me sentir sozinha. Suponho que o orgulho se cerca de solidão para permanecer imaculado.
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Fleuma 22.07.2019

Para mim é o último reduto de sobrevivência.

Digo-o sem exagero.

Reconheço-me como orgulhoso e sem remorsos de o ser.

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