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A ideia está presente, imbuída no discurso suave e de dedos atentos, sondando. Maioria absoluta. É perfeitamente visível a necessidade de ser muito mais num parlamento, onde se consiga reinar em sossego - assim não sejam necessárias purgas de esquerda, que da direita  nem um lamento; nem uma aragem.

 

A piedade de quem vota por estes dias desconfia dos que preferem ditar leis sem recorrer a consensos. Mas eu não desconfio. Eu não gosto de maiorias. Principalmente se assentes em ideologias amorfas, onde a cabeça política se inclina para a esquerda ou para um centro de direita - como se revela apanágio nomear.

 

Desconfio de tudo o que se assemelha a controlo maioritário, de permissão e domínio absoluto. Odeio absolutismos monárquicos ou republicanos; maiorias absolutas necessárias e sustentadas na ideia da necessidade de fazer melhor e bem. Estas são as maiorias que florescem no fascínio e comodismo de quem vota e aceita o deslumbramento das máquinas de propaganda. São o Nacional - Socialismo de Auschwitz, a ditadura do Proletariado dos Gulags ou  a bênção do povo da revolução chinesa.

 

As maiorias absolutas raramente são pedidas, nestes dias; surgem dos votos forjados na cumplicidade de quem apenas observa o que lhe interessa; e principalmente na leviandade dos que se remetem aos desígnios da abstenção por mera e absoluta preguiça.

 

Não me interessam imposições decretadas por maiorias principalmente porque eu não aceito decisões sem discussão. Mesmo remoendo exasperado nas tácticas de camuflagem de uma ala esquerda atrofiada por falhanços ideológicos; ainda que perfeitamente fascinado como a capacidade cómica de um centro - direita ( outra vez... só estas palavras me causam rir!), mesmo sabendo que nem todas as maiorias absolutas são ditaduras, reconheço nelas o cunho da imposição de uma generalidade sobre o individuo. Reconheço-lhe o odor da imposição pela força de um direito que não deveria existir. Na Democracia possuir uma maioria absoluta significa a força do quero, posso e mando. Uma doutrina onde sempre e invariavelmente apenas um comanda e todos os outros obedecem.


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