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Por vezes é necessário ser displicente, deixar de lado aquele zelo sempre critico e aceitar de maneira tolerante a capacidade papalva de quem sempre vai falando sem nada realmente de valioso; não é difícil encontrar exemplos quase tocantes dos que escrevem apenas com o mero desejo de preencher espaços vazios, ainda que seja apenas escrita raquítica e disforme de conteúdo.

 

Nada mais simplório do que atirar piadolas indirectas numa perfeita sintonia com a sensação de conhecer o esmagamento passado, quando a ideia brilhante orbitava na ilusão do cão-come-cão, e quando nunca sequer se conseguiu arreganhar a dentadura! Quanto mais comer outro cão. A piada atirada ao vento não tem direcção. Principalmente se arremessada por alguém perfeitamente inferior em qualquer dos níveis ou sub-nível da arte do argumento racional ou proveitoso. 

 

Não.

 

A simplicidade moral é um espelho distorcido da preguiça mental. Atirar citações de outros, estes sim brilhantes, teria o seu artificio se a ignorante criatura não tivesse o dom de conspurcar cultura. Assumir que se joga na mesma liga significa correr o risco de estar a um mesmo nível - implica evolução mental muito distante da calhandreira das revistas do dia ou dos conceitos manhosos do " vocé é légal, né!",  culto e sempre magnifico.

 

Mesmo que pessoalmente pretenda afastamento da malta outrora derrotada sem apelo ou clemência, por vezes chega o cheiro da decadente falta de progressão pessoal, que sempre se tenta compensar com a meditação à la guru personalizado  - como se fosse possível meditar muito além dos poucos conhecimentos retidos num cérebro raso!

 

E então piora! Pela miserável tendência de formar juízos sobre outras palavras que não são entendidas por nítida incapacidade de raciocínio e cultura de beco sem saída! Torna-se estranhamente embaraçosa a sodomia mental de quem se acha engraçado - cómico, até! - nestas piadolas, sonhando ironia onde moram as águas do pacóvio. Neste mundo poucas são as criaturas realmente felizes na sua capacidade cómica de me fazer rir. E mais tenebrosa se torna esta incapacidade quando alguém se imagina engraçado, atirando idiotices sobre o que não entende, enquanto se acha dono da vontade  de rir.

 

Tenebrosa e imbecil falta de graça. Muito mais difícil de entender nos que, logo, logo, suportam esta ilusão com palavras de incentivo. Trata-se de dar a corda a quem se vai enforcar. Apenas isso.

 

 


2 comentários

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Isa 18.09.2019

Este texto é o meu princípe encantado.

O autor dá licença que o peça (ao texto, óbvio), em casamento?

É que me identifico imenso com cada palavra, vírgula, parágrafo e etc, (GIF incuído, naturalmente), sendo-me, contudo, especialmente cara a mensagem, que é tudo o que penso e sinto, durante os meus tão cada vez mais constantes revirar de olhos, perante não só a constatação da ainda mais uma demostração de imbecilidade - consequentes bocejos, pragas à puta da previsibilidade, e rezas à Nª Srª de Todos os Porquês - como de exactamente o mesmo ritual, em relação a quem o(a)s valida, profusamente.

Canseira.

Fica-se com uma dolorosa sensação de coisa industrializada. Em série. De "porque sim". De "só a dizer". De "porque existo". "E posso". E "a mais não sou obrigado(a)".

Mas é.

Justamente porque aquilo tudo.
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Fleuma 18.09.2019

Sabes que acredito piamente na ideia que o ser humano sofre de pulsão de morte? Justifica o adormecimento de certas criaturas em relação ao seu real estado mental - na incapacidade de reconhecerem o seus curtos atributos e inferioridades.

É deprimente quando se observam descompensações mentais julgando encontrar respostas em pseudo - filosofia de berimbau-forró e curandeiros de terceira página.


O problema é que mesmo estando muito alto, por vezes chega um mísero ar.

Serve para lembrança do que não se deve ser. Antes sacudir.

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