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" Baby, it´s a violent world ..."

 

(999)

 

Enquanto observo reprimo a respiração. Quando olho os papéis, esforço-me na vã tentativa de concentração. Apenas cedo após palavras de tranquilidade e acenos de aceitação. Aceito. Respiro. Deixo assim que mais uma vez o meu espírito se recline na câmara do seu riso suave, quase feito de fumo. Reconheço, nestas horas, ser incapaz  de pressentir se sente medo e antecipação; sequer se a consciência de um passado recente de dor não transfigura as suas palavras, enquanto me observa descontraída. Aparentemente.

 

O que faz com que eu regresse em linha recta? Talvez a semelhança nos olhos verdes e o peso da sensação de não querer falhar; talvez porque uma parte dos corredores escuros do meu medo sejam feitos por ela. Gosto de aninhar no meu peito os batimentos de partilha do seu amor por gatos que sempre vamos considerando quimeras biológicas, enquanto vou desejando que tenha as suas sete vidas intactas.

 

Necessito das suas gargalhadas e da sua capacidade de me expor, mas também me fascinam os Invernos dos  dias em que podemos reflectir algo familiar - uma racionalidade sombria pontuada por uma troca de olhares de cumplicidade e protecção. Espíritos que por vezes se tornam inquietos - talvez por já terem provado do cautério de muitos medos.

 

 

 

 







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