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 ´ Dear Demon, i´ve got the thirst, you got the booze...`

 

(999)

 

 

Fascinam-me singularidades. São uma obsessão de batimentos surdos e silenciados apenas pela virtude de quem se apresenta à minha frente como singular. São quase fantasmagóricas correntes de sonho e refracção; gemas raras e tão preciosas como conhecimentos antigos, segredados no meu deslumbramento.

 

A singularidade niilista do anuir ao profanar de uma criatura que comanda em si mesma uma estética quase impossível de descrever, destruiu maquinalmente, todas as minhas reservas de resistência humana. Até na absurda génese de escuridão que transporta consigo me permite compreender todos os temores de um homem perante uma mulher. Existe um estranho renascer nos pactos feitos com certas singularidades; um reconhecimento de mim próprio que tanto me atemoriza como fascina obsessivamente.

 

Fascina-me este pontuar na minha carne com traços todos eles únicos aos meus olhos. Gosto de os percorrer em estudo; mesmo tendo sido minhas criações são caminhos traçados e mensagens de aviso. Como me fascinam os dedos trémulos, correndo sem destino as curvas de outro corpo. Nada mais importa porque sei que nunca se repetem gestos ou tremores.

 

Palavras? Por vezes, muito raramente, como se delirando em febre alta, traço outros que contam contos. A singularidade de respirar outra respiração; pestanejar por outros olhos luz e escuridão é uma conquista muito pessoal e apenas vista numa tão reduzida minoria. Está presente. Está ali, na ansiedade que consegue ser fria e na destreza de quem se rasga, expondo a garganta. Uma singularidade que não consigo. Algo singular que não se aprende. Mas que parece domesticar-se. Aparentemente.

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