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A palavra.

 

Falar é fácil. Dominar a oratória requer a disciplina e o método que tornam o som das palavras no  discurso. Discursar,  discutir, nunca me soaram a arte - mesmo sabendo que tal nos afasta de todas as outras criaturas.

 

Sempre procurei a palavra escrita. O traço e a expressão. O verbo. A frase escrita que carrega em si todo o portento capaz de me silenciar; carregar o meu silêncio como a mais sincera homenagem. 

 

A escrita é o próprio silêncio. A solidão na ausência do som. Os meus olhos, o teu cheiro e o teu respirar, nas palavras escritas. O alimento na ausência e na saudade. A marca que não se desvanece no  desaparecer das horas - como se desvanecem os sons.

 

Não pertenço ao universo daquele texto. Mas caminho como um fantasma entre as lembranças e as lágrimas do punho que solta a escrita. Quando cai a noite estou junto ao candeeiro que se desliga; onde o caminho se faz em silêncio, entre os ares frios da manhã agreste e o primeiro olhar para o dia que se transforma em escuridão, eu consigo estar presente. Quase pertencer - enquanto crescem as frases, o feitiço permanece.

 

Sou um animal que procura atmosferas, sempre distantes se faladas. Universos - apenas possíveis por estranhos dotes alquimistas. Mundos descritos na escrita coroada pelo meu silenciar.

 

 


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