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As noites são muitas vezes encharcadas nas pequenas maravilhas, atiradas como alimento aos seus devotos servos. As minhas noites são de pouco sono. Gosto de deixar entrar aquela estranha fragrância que fascina apenas os mais experimentados na arte do seu silêncio. Onde poisam os sentidos e o mais leve dos suspiros. E onde as luzes se apagam arrastadas pelas sombras em observação atenta.

 

O mais experimentado nos fascínios geniais nocturnos prefere olhar em vez de dormir. O corpo nu, exposto e indefeso, não deve ser perturbado enquanto suspira suavemente no seu sono compassado. O turbilhão mental nunca parece apaziguar-se e no entanto? Funciona como uma alquimia de ritmos, onde um corpo de massa rochosa se perde entre as curvas de um rio solene. É embaraçosa a potência arcaica que parece subjugar certas noites de fascínio e onde certos olhos nunca parecem cansar-se de transparências e fragmentos.

 

Talvez seja esta uma condição atribuída aos demónios. Tranquilizar-se em sombras pela gentileza do subir e descer de um peito descoberto. Deixar que se vacilem os sentidos nos lábios semicerrados e de onde esvoaçam suaves sopros de vida. Talvez.

 

Certas noites existem sem as mentiras dos dias de luz solar. São as noites de revelação absoluta. Tudo seria negado e atirado para um canto se assim fosse necessário.

 

 

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