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Falou comigo com a violência sôfrega que o tempo memorizou em si, consagrando olhares e silêncios. Nos ouvidos embrutecidos soaram os caminhos dos riachos com que tantas e tantas vezes sonhei no passado!
Gosto de me ajoelhar junto a ela, reconhecer-lhe a pele perfumada, deitar o meu tronco nas suas pernas enquanto os seus dedos longos e suaves varrem o meu cabelo.
Gosto.
Silencia os meus torpores noturnos enquanto lhe ofereço a minha quase desconhecida tranquilidade, um brotar animalesco de quem se abriga de tormentas procurando permanecer ali, imutável, inerte, sem mover um músculo. Algures, entre o gelo e o calor fogoso do seu corpo, entre o lobo e o corvo, a sua canção consome o meu ódio, as minhas fraquezas, sossegando os meus dias.
(Fleuma)