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Vejo os meus dias através do olhar das noites de sono, na resistência ao adormecer, como um pressentimento de morte sem regresso. Gosto de me alongar na insistência em explicar que estou atento ao que me rodeia - talvez até demasiado atento. Que este mundo se revelou afinal numa armadilha sinistra e de impossível tolice e que mesmo assim eu consigo isolar pensamentos e refúgios, que ainda é possível encontrar abrigo nas distâncias percorridas. 

Valáquia é um desses locais entrincheirado nos meus caminhos. Escondida e timidamente desconhecida tem a persistência do meu Amor porque gosto dessa timidez desconcertante, porque me apaixono ardentemente nos caminhos onde é pungente o cheiro do passado, e só o silêncio se despe para os sentidos. Este é um respirar sem sofreguidão, um sussurrar de passos de outrora entre as paredes dos castelos, onde a noite se veste de mitos...

E de manhã!?

As mulheres são belas e os homens são austeros e de olhar fixo. É um pequeno universo num outro sistema de estrelas - aqui ainda é possível escutar o eco dos nossos passos como se fossem cânticos do pensamento, o silêncio força uma paixão sem limites, a antiguidade é doce como o colo de uma amante. 

Neste ponto único é tão fácil parar e escutar o sossego da paisagem solitária, enquanto o coração dança pelos caminhos perdidos e estreitos. Neles a água parece escorrer para o nosso prazer e um o beijo tem aquele tom voraz das paixões verdadeiras.

Únicas. 

Para sempre. 

(Fleuma)

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