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Observo, distanciado, uns poucos onde procuro almejar pequenas réstias da minha esperança. Gosto de descansar, nestes, os meus olhos, desejando muito mais vezes, conseguir realmente sentir-me próximo deles. Como amigos. Companheiros. Companheiras e vontade de ali permanecer.

Mas, creio que frequentemente, persisto neste cismar que rapidamente me atira para a divagação - nem sempre a mais generosa de racionalidade. Demasiadas vezes nostálgica, que atiça a minha fome de repetição. Nunca mais parar.

Por vezes olho e fico em frente a eles. Expressão com expressão. Partilhando notas e vozes. Ébrio com o que escuto. E com aquele beijo tão sedento, para quem se julga moribundo e afinal, apenas renasce.

Mas os sentidos são, muitas vezes, afagados por palavras directas como pequenas chamas no escuro. Temeroso, observo, temendo a intrusão maligna que acaba, inevitavelmente, por corromper o momento raro e solene.

Mas é isso mesmo.

É como perseguir a eterna ideia do ouro e das estrelas, transformando-a numa metáfora pessoal onde insisto em aprisionar todas as grandes memórias, todos os momentos mais gratos da minha experiência. Não é sequer uma referência ao metal precioso, antes um assentar de joelho na terra e um baixar da cabeça, a algo que para mim é verdadeiramente valioso e sem preço. Algo que permanecerá na minha consciência até ao dia em que morrerei e onde sei que em cada recordar desses momentos, sentirei genuinamente algo semelhante a uma alegria feliz. Pura e intensa.

Não consigo encontrar uma  explicação para esta tempestade nestes momentos. Vai contra a minha natureza. Sei disso. Mas é como um raro néctar de sobrevivência animal e primário; traz consigo um estranho calor que aquece o coração e a alma. É por isto que persigo esta ideia e onde certas memórias, as mais maravilhosas memórias, são o mais precioso ouro e as mais brilhantes estrelas. E como sou demasiado egoísta na minha vontade, nunca vou deixar de as perseguir, guardando-as em espaços apenas meus. Só meus.

Não desistirei de acreditar que será esta perseguição do ouro e das estrelas que se sentará ao meu lado no meu último dia na Terra. Que serão as melhores memórias a acompanhar-me no meu último respirar. Antes de fechar os olhos.


3 comentários

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naomedeemouvidos 23.05.2021

Venho só dizer-te olá. Nem imiscuir-me nas tuas memórias, nem invadir esses teus santuários.

É bom ver-te.
Fica bem.
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Fleuma 23.05.2021

Não, não.

Sabes que já fazes parte dessaa boas memórias. E de parte desses santuários.

Sinto o mesmo quando te vejo.

Abraço.

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