Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

 

Caro Barrasco,

 

 

Devo, desde logo, dizer que o odeio!

 

Representando as ambivalências da realidade, pormenor que tanto me fascina, ressinto imenso a sua atitude. Creio que o que mais me molesta é a realidade nua e crua e a negação da existência de qualquer elite neste país; sois a própria imagem de uma dura constatação, julgar não é pertencer a qualquer elite.

 

Sinto-me embaraçado com o seu julgamento, não apenas porque esteja implantado em lirismos escrevinhados por pastores do deserto que, como decerto deveria ser por si entendido, estariam sempre sujeitos a certas trapaças solares e respectivos delírios; a minha vergonha agride-me de forma particularmente cruel, quando constato a metastização da sua cultura, obstrução mental e lógica visceralmente inferior ao mais rijo dos muros do seu tribunal.

 

Envergonha-me, a sua arrogância de magnânima parolice cega em plena idade das trevas. Perfeitamente ciente do manual de queima da sua santa inquisição. Porque sabe, tenho um imenso orgulho da minha condição de homem. Coisa minha, claro. Mas o seu julgamento coloca todos os outros homens na mesma condição, algo que me irrita solenemente! Fui ensinado por uma Senhora a não aceitar de bom grado a merda de ninguém; lido com a minha merda e tento desesperadamente não espargir os outros. Por isso me custa, caro barrasco, que pela merda de uns paguem os outros. Egoísmo meu.

 

Odeio-o, realmente e sem sequer o conhecer. Mas também não conheço a peste Bubónica ou o que terá comido para ter tamanha ignorância e nem por isso deixo de odiar. Mas principalmente, no topo de qualquer outra razão, odeio-o porque sou forçado a dar razão a quem olha de soslaio os homens. Aqui, meu caro, custa-me horrores! Dar razão e sem conseguir contestar uma merda que seja!

 

Porque estão cobertos de razão e eu sou forçado a aceitar e calar.

 

Feche os olhos e tente não acordar.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)







topo | Blogs

Layout - Gaffe