Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

 

 

 

Die Glocke ...

 

(999)

 

Reveste-se de suma importância a moralização. É necessário para a humanidade não periclitar que exista quem aponte o dedo em aviso, tentando dissolver a escuridão que persiste em morar nos corações mais corruptos. Não deveria ser contestada, pelo menos por quem se considera racionalmente estável, a necessidade imperiosa de punir certas falhas morais que vão desviando as almas mais permeáveis; ainda que nestes dias se recorra aos conselhos sábios pejados de censura, já que chicotes e danações são métodos de outras eras. Saudosas épocas. Mas de outros tempos.

 

Persisto num fascínio que muitos afirmam doentio. Fixativo na consumada estrutura, tão apascentada e orgulhosa na sua imagem, de quem soletra palavras como "moral duvidosa" e principalmente, " vida promiscua": de cana em riste e apontando outros caminhos; como professores ou tutores eméritos. Sempre com um ar severo de quem muito tem para mostrar e nada a esconder.

 

Abato-me severamente em inferioridade com as senhoras que cheiram a rosas. Sempre insistentes no seu aspergir moral perante um promíscuo. Agredi-me a sua santidade de resguardo e temor. Como que temendo a violação dos seus espíritos com correntes de gelo; existem criaturas estranhas e pouco morais. São senhoras que sabem que sim. É possível. Salvem-se virtudes por destemida defesa moral. Garantem-se assim inviolabilidades.

 

Sincopado, mais me recolho em embaraço, aos pequenos senhores revestidos do aço sólido da demanda virtuosa de salvamento. Como poderia resistir eu a certas façanhas tão padrecas do virtuoso que inala o perfume jacobino com conta, peso e medida? Bate ardentemente na palavra, nunca se cansando de tentar o castramento alheio. Porque deveria ser assim, agora. Como antes o foi. Pequeno homem: absurdamente castrado por senhora a cheirar a rosas.

 

A moral deixa-me inerte. Reduzido a um veneno. Em leproso isolamento. Não existe a beleza da harmonia nos meus dias. Devo deixar de respirar sem a subsistência vigorosa do alimento moral.

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)







topo | Blogs

Layout - Gaffe