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A distância é a minha grande madrasta. Egoísta e tirana. Sempre à procura de me ver nadar em destroços e lama. Em necessidade absoluta e disposta a baixar a guilhotina, caso seja necessário. Não comanda a mente porque não aceito. Não existe espaço quase infinito entre os meus pensamentos e o lugar onde encontro salvação. A distância é tirânica com o meu espaço físico. Com os meus passos e como  torna penosa a caminhada até ao norte dos nevões e da escuridão quase permanente. Não consigo negar este facto. Mãos suaves e brancas como neve que se entrelaçam nos meus dedos. Lábios piedosos que sopram vapor quente na minha face e um respirar terno que me ajuda. Salva. Socorre. Tantas vezes que me esqueci.

 

A madrasta não consegue que me esqueça. Muito menos que deixe de pensar em saudades. Na incapacidade de comunicar com outros. Mesmo sendo eu, por absurda ironia, muitas vezes canal e porto de recepção do que outros comunicam. Precisam de comunicar em desespero. Não consigo comunicação com quem me rodeia. Pelo menos neste local. Porque estou ligado e sujeito a outra distância. Quase outra era.

 

Não existe colectivo. Não é necessário. Nem sequer presumo a existência de lobo solitário. Um mito.

 

Existe distância e necessidade de correr. Existe saudade intensa. A fome pelo Bourbon  misturado com mel puro em doses precisas. Uma estranha iguaria que queima e desperta os desejos mais escondidos. Como se de feitiço se tratasse. Existe a exaustão física final, quando nada mais resta. Exposto, frágil e absurdamente consciente de que voltarei a estar distante. Mesmo que saiba ser para breve que deixarei de estar longe. Recusando-me a respirar outro ar, escuridão ou espaço que não o seu. Meu.

 







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