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Existem aqueles em quem confiamos. As raridades. Os preciosos. A quem revelamos paixão em  horas de submissa fraqueza. Que permanecem em nós como pequenas chamas que nunca parecem extinguir-se. Esses ficam e por tais, qualquer sacrifício se torna santo. O inferno é simplesmente o que se pode esperar quando aqui não estão. Porque só as memórias não bastam. Só a imaginação não chega. Mas são nossos. E nós deles. Basta.

 

E existe outro tipo de criaturas por quem guardo rancor e um absurdo ódio. Um odiar que não é natural para uma imensa e chocada maioria. Um sentimento escuro que a propósito cultivo com afinco. De estimação. Rancoroso e persistente, que ao contrário do que se supõe não consome: alimenta.

 

São as criaturas que se julgam humanas e vitimas. Que vivem à sombra dos outros, consumindo o pó das botas de quem caminha. Criaturas medrosas. Escondidas e sintomaticamente tristes. Incapazes de se olharem ao espelho nos seus dias de miserável existência. Porque nada são, diga-se. Racionalmente? Nada irão deixar que seja uma recordação; mínima que seja. Fica a prole, envolta num catecismo de desejos que gostaria que fossem e não são. Síndroma de cão anão que ladra à distância de uma possível fuga em frente.

 

Permanece em anonimato. Mesmo inventando atributos que nunca tem. Nunca terá. Por isso incapaz de exprimir uma gota de orgulho altivo. Há muito cega perante um laivo que seja, de amor próprio. E portanto: Existe! Não vive. Existe dependente.

 

Creio ser este o pior pesadelo de criaturas assim. Quando param para pensar um pouco, observam como passam os dias e os anos sem que nada tenham realmente alcançado. Anos a fio sem nada a revelar. Apenas a respirar ar e a envelhecer à sombra dos dias. Ainda que se julguem únicas, estas criaturas sempre viveram no meio de rebanhos e jamais se atreveram a estar sós. E quando expulsas do seu meio aqui sim, expostas aos elementos e aos  solitários que outrora tanto amesquinharam e perseguiram, demonstram o que são. Tristes figuras refugiadas entre paredes, impossivelmente frustradas pelo que são e queriam ser. Sistematicamente convertidas em bobos de corte quando sonham ser feitas de guerra.

 

E o que fizeram com o passar do tempo? Nada. Apenas povoaram o planeta. E que legado deixam? O constatar do quanto incapazes foram. Pior? Nada fazerem para corrigir a sua situação. Uma condição de vitimização e impotência. Mentiras, difamação e intriga. São as suas armas de justificação para a inutilidade e vazio existencial. Para estes resta o meu mais sincero ódio e rancor. 

 


1 comentário

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Rita 16.07.2016

obrigada pelo teu comentário..... eu percebo perfeitamente o que queres dizer, vivo numa escuridão solitária e é assim como me vejo como pessoa

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