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São patológicas, certas existências. Transparentes, no seu respirar ofegante e nervoso. Sempre a inalar outros. Sempre a vasculhar os cantos. E sempre, mas sempre a comer migalhas. Talvez porque se reconheçam condenadas a um resto de vida parcimonioso onde, desde sempre, a traição foi a sua companhia. Em estado latente e parasítico, adormecendo, por vezes, no calor de palavras que apenas lêem. Não as aceitam porque não as vivem.

 

Existe quem por estes sinta piedade. Se calhar, não. Creio que empatia. Talvez até existam raras criaturas de solidariedade militante, que confundam esta militância com amor e com certas existências  decidam casar. Ou juntar os trapos! Como tanto gostam de proferir em nome da tradição. E porque de piedade se trata, decidem compartilhar a semente existencial e procriar. Creio que parecem achar que tal provento traz harmonia. E não. Não traz qualquer harmonia. Porque acabam por se fartar: os solidários militantes, que testemunham o erro colossal das suas vidas e a incapacidade de sentir mais uma pinga que seja, de pena por certas existências. E a existência patológica? Fica. Em desilusão. Umas vezes regressa, outras foge. Mas sempre condenada à merda. Suja e degradante. Anónima e diminuta. Como aliás, o seu tamanho assim o dita

 

 

 

 

 

 







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