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A timidez, inesgotável origem de tantas infelicidades na vida prática, é a causa directa, mesmo única, de toda a riqueza interior.

Emil Cioran

 

Existe um apaziguar que eu não consigo explicar, quando é possível permitir a entrada de outra consciência no meu universo pessoal. É como deixar, por momentos, ficar a um canto, a vontade de permanecer absorto nos meus próprios desígnios. Pequenos ou grandes.

Creio ser um desejo inconsciente de me afastar da minha própria Nebulosa. Observar outras atmosferas e outras dimensões; outras Nebulosas, se calhar bem mais vastas. 

Não sei. 

Talvez se torne necessário assentar amarras na ideia de que ninguém existe como uma ilha, antes como parte de uma totalidade com tantas galáxias - ainda que Carl Sagan já me tenha convencido da indiferença deste Universo para com todas as criaturas, gosto de matutar na ideia daquele ponto luminoso, diminuto, no firmamento, rodeado de outros pequenos astros. Mesmo que tudo se desfaça em poeira interestelar. Mesmo que perca a consciência e nada permaneça, quero que signifique algo para mim.

Este apaziguar com outra consciência que não a minha é uma melodia para mim, que persisto na crença desenfreada de Individualismo. Outras visões e outras palavras. Outros silêncios e outros labirintos que ajudam o monstro a caminhar menos solitário. Mais alegre na ideia de que nem sempre a justificação mais certa é a dos contornos draconianos do cinismo e do niilismo.

A companhia é isto. Química e exótica. Uma espiral de outras estrelas onde me permito  partilhar luzes e sombras apenas com as que nos seus espasmos mais cintilantes me cegam, e  desconhecendo, são portentos onde deito a cabeça.

E descanso.


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