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Thy Light

....

Eu quero recordar-me vezes sem conta. Obsessivo. Compulsivo. Da luz na escuridão a rasgar os meus olhos demasiado claros para a suportar - ainda assim -  que se torna necessário para guardar algo precioso para mim. Porque não chegam apenas odores e gestos. Quero sentir o que sentes quando varres as cortinas da janela, e esplêndida, abres os vidros secos pelo sol da manhã. Aceitar, malicioso, antecipando, a luz a entrar insolente pelo quarto, rasgando, vencedora, a escuridão que insiste em ficar, esquecendo-se que já não é noite - que deve  recolher-se nos meus recantos da memória.

É neste jogo de luz e escuro que me perco, num persistente exercício de futilidade, imaginando conseguir recordar-te assim: como se me fosse dado o privilegio de esticar o tempo um pouco mais e antes daqueles instantes, que vão encharcar tudo de uma luz tão brilhante.  Engano meu,  é claro.

Sei que, mais uma vez entre tantas outras vezes, voltarei a perder-me no caminho, naquela paixão que tenta a memória, para que se escrevam marcas, traços para um regresso. Voltar com passos atrás. Repetir pensamentos de impotência porque fico mudo.

Fico sempre incapaz. Mudo e silencioso.

E não devia.

Não devia.







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