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"O encontro de duas personalidades assemelha-se ao contacto de duas substâncias químicas: se alguma reacção ocorre, ambos sofrem uma transformação." - Carl Jung

 

O desvelo contido é uma mão que se estende para auxiliar os cegos entre as paredes dos labirintos. Uma arte que, em escassas criaturas, nasceu logo no primeiro respirar, e nunca mais abandonará  a sua existência. Assenta nela como uma coroação, e se não formos estupidamente ignorantes, é possível notar um brilho de luz no meio da tempestade. Por vezes, parece desvanecer-se como os sonhos ao acordar. Mas não: às vezes esconde-se, tímida, como quem se envergonha de uma virtude sua e que a maioria não tem. Envergonhada, cruza os braços junto ao peito, como se merecedora de uma qualquer punição.

E são estas estranhas criaturas que, secretamente, também amam as sombras e conseguem nadar entre elas, como se  fossem, afinal, parte desse mundo, despertando os sonhos e os desejos mais contidos; escondendo as horas que matam, em lugares encantados - apenas seus. É inefável a beleza dos olhos abertos destes bizarros seres - insistem na esperança! Confiam em fantasmas. Confiam em sonhos. Estranhamente... parecem confiar nessa coisa a que chamam coração, como uma bússola de sentimentos, e não apenas um órgão que bate para a vida. São a irritante frustração dos cínicos insolentes, porque, entre os esconderijos reclinados do seu desvelo, afirmam que o poder do nosso Inferno existe apenas porque os seus prisioneiros insistem em sonhar com o Paraíso.

Gosto destas criaturas. Tão diferentes de mim. Tão fascinantes na sua capacidade de esperança.

 

 

 

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