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Fica mais um pouco ao meu lado. Mesmo em silêncio. Quero falar-te sobre a minha saudade ...

Sabes, ela não cintila na voz do fado como uma deusa radiante. Nunca a vejo nos poemas mais solenes. Não brilha deliciosa como uma preciosidade que sacia na ausência. 

Quero que saibas que é dolorosa como o tecido de uma cicatriz. Que consegue transfigurar os meus dias e noites como uma corrente no meu pescoço. 

Que não a aceito com o drama da paixão - vivo com ela sabendo que em cada dia que passa vou ficando mais pequeno e moribundo. Os seus segredos não são o sussurrar que desejo. As suas carícias nunca serão a sombra que refresca o meu instinto.

Por isso enquanto puderes, fica. Talvez assim se confunda e eu consiga escapar. 

Ainda não desisti de aprender outras artes de fuga. 

Um dia, eu sei, deixarei que adormeça e sairei para não regressar.

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5 comentários

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Sandra 17.07.2021

Gostei muito de ler esta sua partilha. Guardo-a, como já tenho feito com outras. Mas hoje tive que me pronunciar: escreve muito bem. Boa noite.
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Fleuma 18.07.2021

Creio que deve saber, a sua escrita tem um sabor intenso.

A mim escorre sempre um sabor doce pela garganta. É fascinante e de uma beleza genuína.

Sou recente no seu universo, por isso desculpe se o que leio de si corresponde à minha visão pessoal. Por isso, egoista.

Obrigado pela companhia.
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Sandra 18.07.2021

Obrigada eu, pela sua resposta, pelas tocantes partilhas que aqui deixa, pela forma plena de escrever. Grata! Votos de um bom domingo!
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atravésdaescrita 18.07.2021

Estou aqui.
E vais ficar meu amigo, porque tu és capaz de superar o que te atormenta...
A melhor arte da fuga é o sonho...outra bem oposta é encerrar a porta de nossa casa para o resto do mundo.
Já vivi as duas, a última dolorosa.

Um forte abraço.
Isabel Caeiro

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Fleuma 18.07.2021

Nada a temer, Isabel.

Já ultrapassei pior, muito pior. Já olhei para o abismo, acredita.

O que sinto é estranhamente doloroso para quem gosta tanto de estar só. Sinto uma necessidade extrema de estar com outras pessoas que estão longe e se tornaram tão preciosas para mim. Até os cheiros e a ausência de ruido de outros locais me atormenta.

Sabes, para mim creio que é o preço a pagar por finalmente deixar que se abram portas para outros. Principalmente uma outra criatura.

Tem sido progressivo, mas cada vez sinto mais necessidade de estar com eles. E por vezes odeio esta condição.

Obrigado. Não me esquecerei das tuas palavras. Revelam apenas que não me enganei sobre ti.

Um grande abraço.

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