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Escrevi a alguém que se levasse algum pedaço meu, eu gostaria que fosse algo menos escuro; talvez algo mais próximo de uma certa pacificação. Como se me fosse permitida a quimera da escolha. Como se fosse possível oferecer outra alternativa ao estranho e por vezes bizarro.

Mentia. Claro. Creio que apenas me será permitida a veleidade de desejar que essa mesma pessoa retenha em si a  capacidade de conseguir absorver o Caos que tenho - que abunda em  todos nós. Mas que uns conseguem guardar em compartimentos estanques, adiando a inevitável chicotada que virá. Sem dúvida surgirá. 

E outros apenas conseguem conter esse Caos primordial gerindo paixões - apenas mais uma maneira de sobrevivência talhada no hábito e na aprendizagem. Por isso também lhe escrevi sobre a sua "inflexão para existir". Porque a leio e talvez isso não lhe seja importante, mas quando o faço poiso o corpo nas suas escarpas e labirintos. E consigo entender descrições, sensações e principalmente acompanhar outra filosofia. Não apenas a constante batalha contra correntes e tempestades.

Também escrevi a outra pessoa sobre a opressão da sua vitalidade que brilha nas suas palavras - tão intensa e quase embaraçada, talvez por estar muitas vezes nas suas palavras, pequenos pedaços de escuridão mesclados com a consciência da necessidade de luzes acessas, a minha própria reflexão. Talvez um reclinar de espírito nestes dias em que as promessas não são mais do que memórias.

E vou esticando os braços e as pernas, sacudindo o cansaço, enquanto, pacientemente sigo a matutar na estranha fórmula de um Amor que se tornou líquido.  Caminho silencioso. Com as mãos escondidas. Porque sei ser capaz de entrar e não resistir a um sair de mãos cheias de certezas que não são minhas e sensações que podem espumar a minha tosca sensibilidade.

 


2 comentários

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naomedeemouvidos 17.04.2021

Já te disse do privilégio de me ter cruzado contigo? Se já disse, repito-me.
Podes mostrar-te de várias formas diferentes, e vou ver-te também generoso. É outra qualidade rara.

É bom ler-te e é bom saber que me lês, se me lês. É importante para mim, sim.

Fica bem. Obrigada.
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Fleuma 18.04.2021

O sentimento é mútuo. E creio que já não devem restar dúvidas.

E talvez essa generosidade não seja mais do que um reconhecimento da verdade.

Fica muito bem.

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