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Há dois anos, em plena  Buenos Aires, deixei que aquela artesã das cores traçasse no meu corpo a palavra Metanoia. E sempre que esta palavra consegue ser destingida no meio de outros traços sou normalmente brindado com olhares de ignorância tolerante ou questionado pelos poucos que lhe conhecem os significados.

 

A questão é que esta é uma palavra que poderia perfeitamente designar tudo e nada. Porque simplesmente abrange tudo. Pode significar o conhecimento pela alteração do pensamento. Das ideias que criam o caminho para uma maneira nova de viver. Gosto da ideia de expansão da consciência sem ter de me sacrificar pelos outros. Mas também quero aceitar  ( e muito!) a perceção de que alguém sente amor  ou amizade por mim. Metanoia torna-se fundamental para me avisar da necessidade de aceitar que alguém, algures, sente saudades minhas. Que consigo cravar um sorriso  no rosto de outra pessoa.

 

A artesã riu-se timidamente quando lhe solicitei a arte para a palavra. Que os traços fossem seus mas o significado ficasse marcado em mim. Mesmo que tenha estranhado porque razão Metanoia se não se tratava de uma aceitação de fé. Creio que a fé não é deus. É tomar a consciência do que mora nas franjas da minha vida e estar disposto a viver com isto. Que egoísmo é querer tudo para todos mesmo sabendo intimamente que alguém irá sempre ficar para trás. Prefiro deixar-me estar e atrasar o passo para poder acompanhar estes.


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