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Aceitar a Solidão é uma virtude que se aprende, enquanto vamos  cedendo à litania poética que lhe confere todos os sintomas de uma doença benigna. Desfrutar da Solidão é um teste de resistência para criaturas gregárias como nós; nunca será um poiso de dissertação grandiloquente onde estar só é um  feito homérico, orgulhosamente assumido como uma necessidade.

A criatura que clama aos ventos estar só e orgulhosamente só nunca aceitará a verdadeira solidão. Não apenas a ausência de gente que transforma os dias nos ciclos de repetição que levem ao estado anímico dos loucos. Porque mesmo esta falta de gente se aprende aceitar; a viver sem gente e até a questionar o instinto que nos diz ser bem melhor estar assim.

Não.

Não escrevo sobre a solidão do poeta néscio que imagina a sua "solidão". Nem sequer do sentimentalismo dos que acham viver em solidão só porque estão isolados num Universo de gentes.

Escrevo sobre as virtudes da sobrevivência. São paixões minhas. 

Escrevo porque não somos todos iguais. Sobreviver não tem a mesma noção em quem julga estar só e não conseguir existir sem o beijo dos filhos; a solidão não é definida pelas margens do "deixa-me em paz! prefiro estar só!"; não é aceite como um estado de beatitude a que devemos a nossa devoção.

Isto não é Solidão. É apenas a ladainha do romântico.

O verdadeiro sobrevivente é um silogismo de experiência adquirida; como um veterano combatente. Sabe, em todas as fibras, dos paradigmas do isolamento venenoso. Subsiste num retiro ermo onde estar só não é apenas físico. Resiste à mão que comprime o peito e aperta o coração. Insiste na negação de culpa porque estar só nem sempre é uma escolha; é por vezes um meio de sobreviver. 

O hábito da Solidão não é um estado de alma. Tem de ser imposto com uma força férrea, tornando-se numa companhia tantas vezes necessária.

Mas na maior parte dos dias é uma verdade constritora realmente reconhecida por poucos loucos.

Uma escuridão com um regresso paulatinamente mais doloroso e difícil.

 

 


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