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Houve tempos em que me achava eterno. Não de corpo, esse estranho tabernáculo de sensações e dores. Mas de alma. De algo que transpirava conhecimento. Revelações. Queria obte-las. Saber mais. Uma miragem de esperança!

Que, não de forma súbita como uma estranha premonição, mas lentamente, como tudo o que se passa nesta vida, se foi desvanecendo. Mirrando. Até desaparecer.

Há uns anos conheci alguém, um negativista terrivelmente perturbador, criatura terrivelmente certa do que dizia, vitima de si mesma, mais tarde, que quando indagado sobre esta suposta eternidade me afirmou apenas isto: "Pensas que seremos eternos ? Então se a verdade magoa, prepara-te para muita dor. "

Sem muita explicação, esta demonstração verbal foi tão forte, tão monstruosamente clara, que me esmagou todos os alicerces. Frágeis, já de si.

De certa forma, ainda hoje o odeio por numa simples frase ter destruído tudo em que eu acreditava.

 Também lhe agradeço profundamente. Imagine-se viver para sempre? Num universo demente e que nos renega , por sermos diferentes. Mesmo amando outras pessoas. A nossa companheira, os filhos adorados... Imagine-se conviver com outros iguais. Para sempre sufocado por raiva. Ou até em extâse? Seria intolerável. Essa concepção atormenta-me.

Quem me lê, já percebi, fá-lo porque me odeia. Porque me sente aberração. Como estando num circo. Sim, é feroz. É grotesco. Mas está ali, enjaulado. Deixem-no assim, remoendo estas coisas. Mas que coisa!? Quem é que não quer viver para sempre!!?... Eu.






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