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" A gate to be forced by the somber nobility"

 

...

 

 

Existe um preço a pagar quando o caminho seguido não é o que foi planeado na nossa infância. Quando as tardes eram amenas e era possível ambicionar um destino para a criança em crescimento. É como desejar que todo o caminho seja percorrido debaixo de um sol suave e de destinos seguros. Onde não corram ventos agrestes e que nos fustiguem o espírito. 

 

Em vez disto, talvez tivesse mais senso, desta paz em antecipação a um horizonte cristalino, a escolha caiu no meio da Tundra e dos seus silêncios sepulcrais que nos lembram o dormir dos Invernos mais brancos. Em vez de tudo o resto, o caminho tem sido escolhido pela partilha da distância e quando se reúnem as pessoas partilham-se fogos e calores; deixamos que cresçam barbas longas para que a face permaneça quente e os pelos tornam-se pálidos porque o gelo queima.

 

Partilhamos a música que tantas vezes é um espelho taciturno das noites que habitam estes locais por meses e entendemos a escuridão; que se torna a nossa mãe e nos transforma em algo diferente, tão oposto ao que foi imaginado nos dias e noites amenas da nossa infância.

 

Lamento genuinamente a desilusão nas faces incrédulas. Do sangue que já não verte dos meus braços porque encontrei refúgio nos nevões e nas rajadas de vento que assobiam a sua balada entre os picos gelados e as árvores inchadas pela neve.

 

Lamento.

 

Porque há tanto para ver e sentir. Tanto para saborear nos dias curtos, em noites de olhos brilhantes e cabelos longos. Imenso no companheirismo dos que conseguem ver o que eu sinto e vejo. Quando a exaustão se refaz com um brinde e o desejo que se repita.

 

Lamento. 

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 "Por que não deveria eu odiar os meus inimigos, se os "amasse" teria eu a sua piedade ?", Anton LaVey

 

Não consigo entender porque razão se queixam as pessoas da sociedade em que vivemos. A sério! Nem consigo conceber porque acto de maligna contrição as criaturas pensantes deste planeta se arrogam o direito soberano de criticar este nosso modo de viver!

 

Porque vivemos numa sociedade, plano de existência tão criativo, que no mínimo transborda de requintes hilariantes. Razão mais do que suficiente para sorrir e abrir os braços ao mundo que nos rodeia. Tanto e tanto que existe por explorar e conhecer; enquanto vamos desbravando os novos caminhos da justiça social, do falso mito do privilégio branco ou do feminismo imbecil disfarçando as pedradas ao macho com as sequelas do assédio e da misoginia ( Cristo em pulgas! Como adoro estas teorias tão sólidas...).

 

A alegria deveria ser a rodos neste nosso lugar de vida. Agora então, que o cristianismo está morto, podemos assim espancar o moribundo das convicções sem qualquer receio. É mister, no entanto, que o islamismo não seja sequer olhado! Aqui é um caso diferente, que esta é uma religião de paz e para mal dos nossos pecados, atentados não chegam para defender o contrário!

 

Amo desmedidamente este nosso antro de imundice e covardia, sinceramente. O nosso papaguear de igualdade para todos; a superprotecção que transforma as crianças em adultos caprichosos, preguiçosos e cretinos até à medula; a critica sistemática ao modo de vida ocidental por medrosos que não dispõem da coragem necessária para se mudarem, deixando o seu conforto e liberdade de expressão para trás. Como seriam dias esclarecedores para a mente tão preocupada com a injustiça e o racismo desfrutar de uma sharia sempre tão presente! Um apedrejar aqui, por um rosto destapado ou um olhar para outro lado; um atirar de ácido acolá, entre uns belos açoites, ficaria sempre bem a quem cresceu no vil ocidente e o nojo que são os seus homens.

 

Não importam as raças. Importam os dogmas e a imposição forçada com base em religiões. Este doce mundo degenera o cristianismo em agonia. Mas treme de medo porque tem memória colectiva e muito ancestral! Sabe que nada mudou. Quem agora mata em nome de deus tem apenas outro nome. Porque o modo de pensar e agir é o mesmo da idade média; quando se queimavam mulheres pelo mero acto de existir e se decapitavam os descrentes.

 

 

 

 

 

 

 

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Irmãos ...

 

Que estranho êxtase esse! Por estranhos vapores e incensos, homens pensaram e decidiram a santidade. Eis! A vossa santa presença em quimeras onde outrora vagueavam pastores desconhecendo os mistérios do universo - que não se importa com os santos. Nem vislumbra milagres. Nem respira as devoções que se banham na utopia da glorificação.

 

Sabeis, irmãos ...

 

Que me visto com rigor em ocasiões solenes? Na vossa morte criada e nutrida por visões e segredos atestados por velhos senhores, enquanto vão arrastando as sotainas nas pedras de monumentos há séculos mortos. Pelo vosso segredar ajoelhado e dedos entrelaçados aguardando o vazio do esplendor beato. Visto-me com rigor.

 

Pelo branco que se aceita limpo ou antes o negro do puritano, sabeis ...

 

 

Que não vos vejo em celeste redenção? Que me julgueis caído e em comunhão com outros e cego! Porque não consigo deixar de perguntar e julgar vosso ungir, perdido que estou, ante a vossa estéril cama. 

 

Que estranho êxtase esse, irmãos ...

 

Cego e surdo ao que se aproxima. 

 

 

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 " Love, don´t give up on me ..."

 

Alguns de nós nascem sem um propósito. Nada mais do que uma prolongada queda entre caminhos ornados. Na maior parte das vezes os seus dias são rápidos, patéticos e inúteis. Sempre com a esperança de salvação. Nem que seja pela caridade alheia e vizinha. 

 

Como se não soubessem desde sempre o que significa perder. Perder com o destino e enquanto se rolam os dados - pensam. Se ao menos tivessem alguma dignidade. Uma vida inteira a unir pontos onde não existem padrões. Como se a ironia de tudo isto fosse apenas uma defesa. Como se esta ironia não fosse aquele império, nação e tribo cuja capacidade de rir tudo alimenta.

 

Deveríamos rir de tudo isto. Nem que fosse apenas pela necessidade de mudança. Como se os ganchos que se cravam nas nossas costas mais não fossem do que um embaraço e pudéssemos sentir agonia.

 

Alguns de nós conseguem ser os seus próprios verdugos e crucificar-se a si mesmos. E mesmo assim, escolher a árvore errada! Rasgar o seu próprio olho. E ainda assim, o olho errado! 

 

Outros ardem, queimam da maneira e forma que assim desejaram. Como se um destes dias tudo volte a ser como era. Tudo certo. Mesmo que se adivinhe que os sonhos não são para todos. Porque os deuses se aborrecem com a paz dos corações e os seus dedos tiranos ardem em comichão.

 

Como se fossemos diferentes a caminhar cegos entre montanhas. Como se fossemos diferentes na capacidade com que conseguimos soletrar a dignidade do purgatório.

 

Como se isto fosse muito mais do que uma mera nota no diário da futilidade.

 

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"The first I know, unknown to rulers,
Or any human mind;
Help it is named, for help it can give
In hours of despair....

 

The Wise one has spoken the words in the hall,
Joy to him who understood! 

 

...As the darkness fell and gone was solens light
The silence ruled amongst the men of heathenpride,
Who gatheren in a mighty battle-line
And awaited their Gods to give the final sign..."

 

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Georges Bataille escreveu, que neste mundo apenas temos duas grandes certezas: que não somos tudo e que iremos morrer. Aprendi isto, de maneira insofismável e dolorosa quando deixei de procurar uma luz ao fundo do túnel e acreditei que a resposta estava no lado oposto. Na escuridão. O esclarecimento que tem toldado a minha visão, porque se tratam de respostas que nunca pensei encontrar num universo tão afastado da visão normal das coisas, muito seguramente não me levou para o meio de quatro paredes brancas e almofadadas porque mantenho a razão como alicerce céptico. Ainda ...

 

Estou, há anos, longe da crença de raiz angelical e de um paraíso acima da minha cabeça. Apenas porque sempre me custou aceitar a visão de quem nunca olhou para o seu semelhante de igual forma. O seu Deus é grande! E tudo o resto vacila aos seus pés. Porém, não existem respostas para vagabundos como eu. E nunca tive medo de olhar para outro lado. Pela recusa de ser ovelha e olhar para um rebanho em desespero de causa.

 

Foi na escuridão, longe da claustrofobia supersticiosa, que encontrei uma saída. Muito embora, ainda não tenha saído, porque me recuso a sair sem absorver tudo o que consiga. Mesmo que, por gula, venha a afundar-me. Preciso. Necessito disso.

 

Bem longe do alegre viver de tantas criaturas. Contentes por uma pequena migalha. Ainda que eu saiba ser comum a tantos outros, pelo menos em futura velhice e mortalidade certa. Reconheço, no entanto, a desilusão. A oposição a uma luz opaca de um santo padre que não consegue iluminar a mente de ninguém. E por estranho que pareça, as conclusões não me assustam.

 

Não vejo nada a ganhar ou perder na convivência humana. Ainda estou para ver algo que seja realmente permanente; pelo menos perante o olhar inquisidor do tempo. A vontade de encontrar respostas num mundo para além do universo físico será sempre uma barreira para a nossa vida real. Georges Bataille tinha razão; não acredito que alguma vez possa haver êxtase ou salvação. Não seremos iluminados ou julgados. Apenas por um breve momento, uma pequena fissura, poderemos sentir o que significa verdadeiramente estar vivo. E já me disseram que apenas acontece a quem está atento.

 

Porque quando passa, a existência deixa de ter qualquer sentido. Espero que sim. Já que depois apenas resta o inevitável regresso a Nada.

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Conheço aquele sentimento que engana. Afirma que tudo estará bem. No futuro. E sei perfeitamente que não estará. Não agora. Basta olhar o espelho de frente que a questão surge. Creio que até já deixou de ser relevante. Já deixou de o ser. Marcado a ferros e de forma ironicamente permanente, a certeza de que sem outra pessoa não consigo subsistir. E a confirmação ( por estes dias, confirmar parece ser um alimento podre ...) de que cada vez mais não existe companhia na presença de outros. A falta de paciência já se tornou numa soturna companhia, pouco dada a mais necessidades que não sejam as de fazer com que o tempo se esvaia sempre mais depressa. E por cada minuto que me sinto acompanhado, tantas vezes densamente emersos em escuridão, depressa se confirma ( sim, confirmar, uma vez mais ...) que o resto dos dias serão aquele calvário antecipado, do choque traumático de quem se forçou a conviver com a solidão déspota e mesmo assim sempre soube que encontraria salvação em outros braços.

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