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Foi num pequeno lapso de tempo. Numa pequena parcela da existência, onde poderia residir tamanho gigante de disfuncional alegria. Se me perguntas do que falo, é porque há muito me acautelei. Para poder sentir. Nesta pequena parcela de existência temporal, uma partícula de vontade. De alegria. Alegre por viver. Algo. Não importa. Nunca importa.

Conto retalhos de mim. Mundanos que sejam, só a mim pertencem. Viajo só. Requisito para tal? Necessário se torna viajar só? Não. Nunca. Apenas te cansas rápidamente. Como todos os outros. Desvaneces-te em desespero acre. Por que não consegues prosseguir. Frustração! Essa reles meretriz! Mãe dos que se prostram, nos vendavais da alma. E ficam frios. Secos. Sem pinga de orvalho noturno. Rastejo para que possa sentir o solo. Cálido. Amoroso. Longe do céu. Verto a minha mágoa a uma serena nota do que antecipo. Da temperança de uma visão que neste mundo já venceu. Que neste mundo se alonga. Não sei. Estranho que nunca o tenhas visto. Na realidade que persegues. Ficam as mãos abandonadas. O sentimento de acreditar. Forte. Pungente. Livre! O Nada!

Porque já se foi o tempo da faína e da razão. Resta agora a nova aurora. Perfumada por uma simples vontade. Voltar a escutar. E a absorver.

“As pessoas que brindam a sua plena confiança crêem por isso ter direito à nossa. É um erro de razoamento: os dons não dão direito.”

 

“Falando francamente, é preciso que nos encolerizemos ás vezes para que as coisas fiquem bem.”

 

“Fé significa não querer saber a verdade.”

 

“A mulher compreende a criança melhor que o homem, mas o homem é mais criança que a mulher.”

 

“O homem sofre tão terrivelmente no mundo que se viu obrigado a inventar o riso.”

 

“Quem nega a sua própria vaidade costuma possui-la de forma tão brutal, que deve fechar os olhos se não quiser desprezar -se a si mesmo.”

 

“Você esquece a sua falta após a ter confessado a outrem, mas normalmente o outro não a esquece.”


F. Nietzsche

 

Há algo de profundamente sinistro numa criatura que é incapaz de olhar para si própria e sorrir. Sorrir de si. Não ser alheia ao facto de que a raça humana é povoada por monstros. Sabemos por acaso quem é o pior monstro que habita este miserável planeta? Para que precisamos de ver terror no cinema? Ler terror num livro, que sabemos irá acabar muito bem? Basta para isso, que nos olhemos em frente a um espelho. Haverá maior terror do que o nosso pensamento? Poderemos alguma vez dormir sossegados, na penumbra desta presunçaõ?

Somos pouco capazes de respeitar os outros. Troçamos de quem nos olha de outra forma. É uma arte. Saber como desfazer o que outros possam ter de positivo.

Deveria ser inata, esta capacidade de rir. Mas de nós próprios. E não aquele sorriso de quem diz, de odiosa forma materno-paternal, "Tolinha(o), que falta de tino!". Esta é e será sempre a forma do imbecil. Do que nunca se leva a sério. Daquele que teme as consequências. Dos que dizem falar do coração. Aqui sim, chegamos ao fundo! É como se este "coração" fosse uma estranha máquina. De rítmos mecânicos. Programados. Nunca levam nada a mal. Por isso não sabem verdadeiramente viver. Porque se levam demasiado a sério.

Dizem não ser capaz de odiar. E se alguém discorda, pois sejamos racionais, não se consegue viver sem odiar, senão como saberiamos o que é o "amor"(?), sentem-se ultrajados. Pois não é possivel amar assim!!?  Pois não é possivel dar e nunca receber!!? Claro que não!!

Perderiam menos tempo se sorrissem de si próprios. Amar é sempre bom? Talvez... Mas se isso transborda para a cegueira, já nada tem de belo. Ou dourado. Ou de mágico, se quiserem. Será apenas grotesco! Sem humor. Sem auto-crítica.

"Niilismo não causa paralisia. Niilistas pulam em abismos e escalam montanhas – só não acreditam estar caindo ou se elevando no processo. Com a suspensão do juízo, a contradição é apenas aparente – trata-se somente de mais um absurdo em andamento."

André Díspore Cancian






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