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Eu ...

 

(999)

 

A ideia de conhecimento pessoal, voltado para dentro e com a extrema necessidade que nasce de aceitar o que transparece, longe de tudo e toda a atenção que não a nossa, revela acima de qualquer nota, a sombra do mais perfeito egoísmo. Engenhoso egoísmo que semeia a virtude de algo apenas nosso e nunca revelado, mesmo quando na troca de confissões intimas. Mesmo perante o olhar persistente do psiquiatra.

 

Alguém me afirmou que conhecer o que "habita" em nós é como pernoitar numa casa entre montanhas e durante uma tempestade de neve. Quem já testemunhou a fúria assassina da nevasca do Norte entende a incapacidade de responder sobre o que habita em nós. Podemos fechar  janelas e criar calor para aquecer. Existirão sempre frestas de imprevisibilidade e escuridão. E espaços que apenas eu conheço e tenho acesso.

 

E gosto dos meus recantos escuros e frios. E dos teus. Do que consigo transportar em mim enquanto bebo das tuas palavras. De ínfimas possibilidades. Assombros. Promessas cumpridas.

 

Conhecer.

 

Não gosto do que canto. É grotesco. Não existe realmente luz nele. Antes a tua canção. Infinitamente mais respirável. Mesmo que sonhadora, é respiração. Desgraçadamente necessária.

 

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Cantico della dea

 

 (999)

 

São estranhos, certos fogos que nos consomem. Rapaces no seu sossego escondido, necessitam, imploram por alimento. Para alguns são uma mãe serena em dias mais escuros. Um ventre de alabastro onde se repousam sonhos e descansam preces silenciosas. É possível que se viaje também entre labirintos e compassos, mas o que consome arde sem ruído. É distância.

 

Outros são fogos incandescentes, fogueiras de São Vito que transformam a alquimia das almas. Inspiram o espaço onde faltam deuses, encharcando-o no ópio dos estados d´alma; é música quando expirada para pacificar a dor e uma soberana liberdade de si para si. Pessoal e supremamente egoísta.

 

Os animais mais vitais conhecem estes fogos. Nem sempre ardem chamados pelas chamas. Muitas são as vezes em que é a paixão a alimentar o mais tenebroso dos fogos. São a mescalina turva e doce dos desejos mais negros. Palavras, gestos e expressões que apenas servem o propósito sussurrado da fragilidade envelhecida.

 

Ou fogos de consumo tão imenso que permanecem. Não se apagam. Deslumbram o juízo mais escuro. É com estes arquétipos que se procuram sonhos e vozes. E ainda que fugazes, são o espanto das noites de desejo mal dormido. Revelam-se em impossibilidades e crenças sempre acesas de utopia.

 

 

 

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(999)

 

 

Existe um preço para os momentos felizes, dizem; é preciso que continue a caminhada enquanto se calibram sentimentos e se adaptam as palavras. E afinal, reconheço que nada disso é verdade. Pior, nada disso interessa.

 

Reconheço também que existe, de maneira estranhamente visceral, quem consiga despertar em mim outros sonhos vistos por olhos que não apenas estes. Que a escuridão é tão obscenamente encantadora, tão gigante se propaga quando acompanhada por desejos íntimos de libertação e luz, que parece apenas ser posse de uma única pessoa.

 

Não sinto que seja louco. Ou então não muito mais louco do que antes. Mas este fogo inesquecível deixou de me atormentar os dias. As emoções reveladas a cru sempre foram as mais elásticas e difíceis de descrever, mas são um alimento tão portentoso de energia! Creio ser bem capaz de esmagar o universo em estilhas: pura e simplesmente porque o calor emanado é tão intenso; porque o meu lugar assenta junto a um sacrilégio esfomeado por mim. E eu tenho tanta e tanta ânsia. E tamanha é a fome dilaceradora.

 

 

Gostaria de escrever nas consciências o quanto me faz rir o sentimento de calor humano. Seria importante gravar a ferros que o vazio se torna imenso quando não existe o animal emocional; quando se perde o brilho de um olhar que nos despe e queima, imolando todas as certezas e definições.

 

 

 

 

 

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Parafraseando a insanável Isa, vou "ahahahahazar",

 

"AHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!"

 

 

 Como óbvio se torna, venero este senhor.

 

De alguma maneira consegue desestabilizar-me ...

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(999)

 

 

A redenção tem um preço. Escorre com um sabor acre. A mim sempre me pareceu. Só os conscientes do naufrágio procuram a redenção, como se de uma amante infiel se tratasse. Vamos desfiando os dias no falso sossego da salvação; talvez dentro de horas anoiteça e consigamos dormir.

 

Sono.

O verdadeiro pathos para a redenção. Ironicamente, dormir é rendição. Redimir sem batalhar. Nem sequer será o afago terno do abraço transformado em caricia. É não lutar. É descansar. Dormir.

 

Eu tenho visto tentativas de redenção em poucos rostos. Mentiria se afirmasse acreditar nas faces que sorriem, tentado a salvação. É meu descrédito, mas quem respira uma vontade de redenção não consegue sorrir. Sei antes que vamos apodrecendo um pouco mais em cada tentativa. Temo que um sorriso se revelaria demasiado penoso pela consequência.

 

Não tenho a certeza mas numa espécie de arremesso deixei de procurar a redenção nas cápsulas e pequenas substâncias redondas como ilusões de esperança, e reconheci a necessidade de vagar sem a doce certeza de que o que foi deixado seria sempre uma garantia de pacificação. Sintética juíza da minha incapacidade de salvação.

 

Estranhamente, não existe deus na redenção. Apenas uma monstruosa noção de vazio e da sua necessidade de preenchimento. Um brilho intenso nos olhos como numa permanente vontade de devorar. E uma certeza, clara como uma manhã de verão, de que não existe uma cura. Apenas se vive entre mundos.

 

Nós, procurando um redimir, vamos pontuado o nosso corpo com cicatrizes e imagens, numa vertigem quase messiânica de aviso e arrependimento. Dolorosamente convencidos dos traços deixados transformados em cinzas.

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(The Principle of Evil Made Flesh)

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" Aquele que se delicia com a solidão ou é um animal ou um deus." -  Aristóteles

...

 

(999)

 

Eu não tenho ídolos. Creio ser essencial para a minha sobrevivência matar os ídolos. Nada tem de filosófico esta necessidade parricida. Apenas um instinto primário de consumir o hospedeiro para subsistir. Respirar. E é nosso. Meu e de todos. Este desejo de consumo. Não me sinto culpado.

 

Eu tenho luzes que aceito como estradas e abrigos. Referências tresmalhadas que habitam na minha vontade. Todas estas luzes, faróis de navegação descompassada, são a materialização da morte do conceito humano de deus e o cimentar do meu mais puro ódio contra todas as religiões. Fascinam-me individualismos onde não existem tronos de castigo de fogo eterno ou prometidas virgens.

 

Um hedonista que se deslumbra no espasmo da mentira de tantos que julgam possuir virtudes e direitos oferecidos por deus. Um viajante meticulosamente fascinado como uma criança perante a América de Idaho; deslumbrado pelo puritanismo de Adão e Eva, armas vendidas a preço de saldo nas mercearias mas que a quem procura uma verdade diferente, nada existe que incomode. Descoberta de um local encantado onde se pode possuir uma montanha nas traseiras da casa. Onde, absorto, estarrecido e deslumbrado, consegui ver um grande Alce na estrada gelada! Um enorme Urso! Um truculento Lobo!

 

Não tenho ídolos. Decidi sentenças de morte. Simples.

 

Quero conhecer o que pensam as estrelas de nós. Sinceramente. Vasculhar entre os fios da realidade as adoráveis silhuetas dos poucos eleitos capazes de beber utopias. Pessoas que me rasgam as convicções e ensinam a regressar para escapar, desaparecer, render-me ao espaço e ao silêncio tirano. Encontrar abrigo nas fissuras da armadura.

 

Floresta negra onde olhos verdes que brilham se convertem em desarmonia e urge que sejam escondidos. O corpo deve ser pudico e amplamente coberto, porque a visão de quem se cruza parece absurdamente severa diante o exagero de tamanho. Não se deve sequer tentar juntar os ombros com as montanhas que nos cercam. Aqui as mulheres ainda se atemorizam com o peso e tamanho de um homem.

 

Viajo incansável porque as luzes se afastam. Sou uma criatura de colheitas que sorve atmosferas. Humilhado pela sua insignificante presença no universo. Assombrado por chamamentos de prata e ouro onde pensei ver apenas um olhar distante e frio.

 

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A pequena - morte vive no seu desvelo de cinzas na correnteza do ar. Ali: escondida entre as margens acima e imersa em si própria.

 

Mesmo que perca a luz do sol, escreve ao ondear da chama das velas, brilho lunar, sem luz. E ainda que perca o papel e a tinta, escreve em sangue nas paredes esquecidas. Escreve sempre. Tomando para si as noites do mundo e plantando o sussurrar dos pensamentos em cima do ombro dos incautos que a escutam.

 

Dizem que o verdadeiro amor só brilha uma única vez nas horas que consomem e que devemos esperar pacientes até que rasgue a aurora dos dias. A pequena - morte tem esperado. Tem procurado. Debaixo da lua, andado pelas ruas até ao amanhecer. Vai misturando fórmulas arcaicas, bebendo a depressão. Escondida no sono. Mutilando-se em sonhos. Acordando mais velha. Mais consumida.

 

 

 

 

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Poland 2017.

 

 

Thank you! We will never forget.

 

Until next time.

 

 

Besiege the thrones of reverence!

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 " Devemos a quase totalidade das nossas descobertas às nossas violências, à exacerbação do nosso desequilíbrio. ", Emil Cioran

 

(999)

 

Mil palavras não seriam  suficientes para o descrever. Talvez a viagem apressada do sangue pelo corpo seja um pálido reflexo. Talvez o medo de esmagamento. Talvez o incessante pensamento a martelar - que a manhã se encaminha e o esforço da noite findará - seja o suficiente para aceitar o descanso.

 

O que é este sentimento de gigante que sinto? Esta profana noção de força bruta assusta-me. Tentar significados quando se superam fraquezas não tem descrição. E mesmo a lógica mais fria não comanda o conforto da negação ao que foi antes vaticinado. Não se explica. Sente-se nas piores tormentas. É pele que não se veste como galhardo esforço para aparência. É carne temida pela mácula dos frutos que para ti, ele, ela e eles, geraram uma capacidade quase surreal de forçar uma força que nunca serão capazes de sonhar.

 

Mil palavras não descrevem as mãos gretadas pelo atrito no ferro. Como se tornam grandes para não deixar fugir o momento em que finalmente aquele peso, antes miragem de espantos, se eleva do solo. O sangue que escorre entre as narinas quando as costas lutam com o peso e a gravidade. E alguém consegue sequer vislumbrar  o êxtase de passar a língua por esse sangue que escorre quando  nos gritam, entre a névoa da dissipação mental, quase de mãos dadas com o desfalecimento: " - Conseguiste!! "

 

... Uma vez mais.

 

Já me foi afirmado que certas tentativas de superação são perfeita loucura e caminho para um fim rápido. Uma grande maioria.

 

Outros, poucos, quase irmãos, sabem do segredo religioso. O delírio que enche o corpo e a mente. O triunfo de uma dor partilhada por ombros, peito, costas e pernas em fogo. Alquimia de espessura muscular que cria gigantes ...

 

 

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