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A maior das ironias é o mundo em que vivemos. É deliciosamente irónico que, num mundo onde a modernidade abunda, a tecnologia comanda e tudo esteja tão próximo de uma tecla,  ainda assim, nada tenha realmente alterado a nossa capacidade de alterar dogmas. Bizarro, continuamos a insistir nas mesmas ideias do passado. Sempre me pareceram estranhas as noções de globalização, sempre. Nunca vi este mundo como um "grande jardim comum", mesmo sendo alguém que se orgulha de pertencer ao que, carinhosamente, alguns chamam Tribo - porque me sinto protegido e acompanhado. Mas não consigo aceitar um imenso todo, onde todos estão ligados e unidos. Abomino. Lamento.

A  guerra na Ucrânia é um exemplo para mim da falsidade de uma suposta e brilhante caminhada para a globalização. Só uma criatura cega não consegue observar as brechas na armadura deste globalismo, quando uma nação pura e simplesmente rasga todas as regras do direito internacional, todos os princípios mais básicos da suposta Democracia, enquanto vai, todos os santos dias, reduzindo ao mais absoluto ridículo, um parlamento que ainda persiste na arrogância de se julgar "Nações Unidas". É penosa a desunião e aquele assobiar para o lado dos interesses de cada um. Mesmo sabendo os menos esquecidos que essa mesma Ucrânia, nunca foi um exemplo de democracia, mesmo sabendo das gritantes semelhanças entre o regime russo e ucraniano, onde se perseguiam opositores, encerravam jornais,  para não dizer mais.

É falsa a ideia de um mundo onde todos pertencem a algo que se aproxime sequer, de um universo comum, colectivo e próspero. É falso quem alimenta o segmento de irmandade fraterna, porque não somos iguais e devíamos sentir orgulho nisso! A insistência em juntar todos na mesma ordem é uma imposição forçada por doutrinas de esmagamento do Individuo em nome de uma falsa Maioria.

É uma suprema ironia esta teimosia em transformar qualquer Ideologia que seja numa Religião. Mas é exactamente por isso que surgem movimentos transformados em cultos a todas as horas, onde se acusam os que pensam longe deste culto, de preconceituosos, onde toda e qualquer semelhança de autocrítica no interior desses movimentos se revela impossível, onde a insistência mora nisso mesmo: todos pensam igual e assim se anula o Individualismo. Não se lembram que tudo, rigorosamente tudo, parte de um individuo antes de se tornar um todo. 

É ridícula a incapacidade de aceitar uma critica ou um não nestes tempos, como se fossemos crianças imbecilmente mimadas, permanentemente coladas a uma rede social de letras gordas e básicas, sem um pingo de paciência céptica, aceitando tudo como um facto verdadeiro e sem discussão.

Como Individualista temo a retórica que alimenta movimentos políticos de fervor religioso onde se brutalizam os conceitos mais elementares da Biologia,  onde o capricho assume identidades diferentes todos os dias, e principalmente, se usa a culpa como uma arma de punição, que deve ser aceite de cabeça rasa.

Recuso-me a aceitar julgamentos sumários e sentenças conjuradas na culpa de actos passados. 

Não aceito a  Ideologia imbecil que quer forçar a minha submissão pela garganta abaixo. 

Não tenho paciência para os que acham que ser Individualista é uma condição ermita, longe do mundo. É uma ilusão de cinema, quem pensa que aquele que pensa em si antes de olhar para o mundo é um lobo solitário, porque revela o desconhecimento dessa condição, a ignorância displicente do infeliz incapaz de pensar para além do culto do rebanho.

 

Fleuma,

 

 

 

 

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Εγώ ...


"A presença de um pensamento é como a presença de quem se ama. Achamos que nunca esqueceremos esse pensamento e que nunca seremos indiferentes à nossa amada. Só que longe dos olhos, longe do coração! O mais belo pensamento corre o perigo de ser irremediavelmente esquecido quando não é escrito, assim como a amada nos pode abandonar se não nos casamos com ela." - Arthur Schopenhauer

 

Escrevo para a minha própria salvação. Tudo o que escrevo tem a persistência de uma redenção que nunca será minha - mas insisto que será. Escrever é um método para o Caos, um portão que se fecha antes da entrada no abismo.

Escrever é isso mesmo, a sublime arte do diálogo silencioso interior, as minhas alucinações, os meus caminhos respirados, a mistura de outras terras nos meus passos, os ares das florestas que atormentam os meus anseios. Escrevo porque receio perder-me no esquecimento. 

Talvez essa salvação, essa possível redenção, também sobreviva na voz, no som das palavras, mas esse exorcizar é demasiado breve, para mim. Creio que se torna fácil esquecer quando permitimos que os nossos pensamentos se revelem pela garganta. É impossível que não se tornem miragens.

Não pela escrita. Podemos deixar que o esquecimento arraste pelo pó as nossas conversas solitárias, mas se realmente quisermos, podemos voltar atrás, reler uma página e não permitir a dissolução de certos momentos. E, se mesmo assim, certas folhas escritas forem rasgadas, eu quero que demónios, certas magias, poeiras do meu pensamento, sejam traçadas no meu corpo, onde falo de mim sem esquecimento.

Escrevo porque é irresistível a minha paixão que mergulha em sombras, porque me dispo na escuridão, e onde sei que, verdadeiramente, existe uma alma que pulsa intensa, etérea, alimento, em sementes de amor. 

Esse amor tão meu. Tão vorazmente magno e apaixonado.

 

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Reservo para mim e apenas para mim a possibilidade de escolher a minha estrada, as minhas escarpas e os meus labirintos.

Não é absurdo, este intoxicar, esta sensação de poder mal contido?

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Sorri ...

E brinda a esta minha alma ...

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Natalia Drepina

 

Primeiro é a carne e o sangue.

Talvez não aceites isto. Se calhar é melhor que sejam as razões a comandar o que vem primeiro. E se calhar estás certa, mas eu prefiro ser o Animal que é metade carne e metade sangue, e apenas depois deixar jorrar o peso da consciência racional, essa prisão que embaraça os sentidos.

Por isso, primeiro é a carne e o sangue.

E tenho tanto para te contar sobre a minha carne e o meu sangue. Tanto sobre a inconsciência da alma. De como é devoradora esta gnose, este centro nervoso que alimenta tanta fome. Por isso sei do teu desvelo enquanto adormeces os pensamentos  no amanhecer, entre sonhos e sinais distantes. Sei como mudas de coração e alteras os teus passos.

Quase certa. Quase.

É a carne que sente primeiro o toque mais suave. É nesse primado absoluto dos sentidos que afasto a tristeza, a sombra e a escuridão. Talvez algo demasiado terreno para ti. Talvez o teu primado seja antes um sorriso intenso rasgado em luz; porque existem desses risos por aí, mas eu preciso de me entregar ao toque, por mais subtil que seja.

O sangue repete o catecismo da carne. O sangue dança quando a carne se entrega. É uma fúria lacerada em rasgos perfeitos de sensualidade sombria, rasgada com artifícios metódicos de desejo e consumo, uma pacificação nervosa, inquieta. Perigosa.

Mas nenhuma razão, nenhum pensamento de antecipação, consegue ser mais sublime do que aquele momento perfeito, aquele lapso no tempo, em que os nossos olhos brilham no escuro. 

Quando somos apenas carne e sangue.

 

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(999)

A morte tem um estranho fulgor nos momentos em que conseguimos escutar o último suspiro de outra criatura. Estranhamente, é mais, muito mais, do que imaginamos. É muito mais esmagador escutar esse ponto terminal incapazes de rezar, retendo a respiração como se fosse nossa a vontade de acompanhar, abraçar apertado para que não escorregue de nós, enquanto cedemos ao instinto de aceitar a inevitabilidade.

E a morte acaba por ter a cor de um certo desespero astuto do que sabe a triunfo, um sabor a traição para quem fica, uma saudade tão presente que, acabamos por testemunhar, acabará também por nos assassinar lentamente.

Talvez não se devam lamentar os que morrem. Talvez já estejam junto aos portões de Valhalla. Pode ser que a existência até tenha sido imensa, de uma libertação cega, mas fica um vazio sísmico impossível de encher. Um rancor por palavras não expressas, uma gargalhada que não apareceu no momento certo, uma ausência interminável.

Estes são dias de viagem e cada vez maior distância. Tanto para dizer e tanto tremor para o fazer. São artefactos de uma solidão que parece pintar a minha vida com uma estranha beleza. Assim mesmo. Como se colocasse uma chama muito especial em todos os finais de tarde e o ar da noite ficasse mais fresco. Sinto o peso da culpa porque sinto a saudade e o vazio de quem já não está ao meu lado. Penso no significado da dor que sinto. Sei que, como sempre, a dor é pessoal. Pertence-me. Provavelmente a única, verdadeiramente única, coisa que me pertence. Por isso, fecho as portas para que as memórias não fujam. Acorrento o que me resta. Até o seu fantasma.

Egoísta. Em arrogância.

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Norte...

Eu estou vivo, sabes? E talvez isso signifique, afinal, que exista em mim um potencial infinito. Vou ficando apaixonado pela ideia de poder fazer tudo e sonhar com tudo. Talvez pelo segredar, quase erótico, da palavra mudança: e que a  distância não signifique uma nova corrente fechada no meu pescoço.

Gosto disso. Gosto. Inexplicavelmente. Como o calor de um corpo nu que me aquece no regresso da solidão. E sinto-me extraordinário! Capaz de ouvir os ecos das margens que cantam, celebrando, aqueles pensamentos que me apaixonam sem noção. É quase uma serena justificação para este gostar. Como se fosse possível, nos meus limites, justificar porque gosto disso. Inexplicável.

Creio que seria necessária toda a minha prudência enquanto fosse desfiando alguns segredos, sussurrados em conspiração ao teu ouvido e escutar silencioso, talvez porque não acredite no amor que mora no mundo dos Sonhos; talvez faça mais sentido para mim que esse amor seja um escravo do Desejo, e sei como os Desejos conseguem ser cruéis.

Pouco importa.

É nas distâncias que me sinto realmente vivo. É quando caminho para longe que, siderado, consigo justificar o fogo mais intenso dentro de mim, a vontade quase caótica de possessão física, carnal, de outro corpo, num ritual pessoal de animalidade inconsciente. É doloroso o desejo por fragmentos do prazer de outro. É aceitar a sina de quem tenta a distância apenas para justificar a necessidade do regresso.

E como explicar isto? Querer o teu olhar em mim, enquanto afastas a pele do animal, longe dos sentidos de monstro, talvez tu conseguisses passar a tua língua quente na minha memória, nas minhas Sombras, e sentir outras cores. 

... Talvez.

 

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- " É apenas um beijo," - disse-me. Um beijo normal, todo feito de lábios e pele, e ainda um pouco de língua. Mas mesmo assim não evita uma observação atenta, tão instintiva em si, de um traço de sorriso muito difuso que corre no meu rosto, com uma afirmação convicta da certeza da existência de um outro brilho nos meus olhos, diferente do normal.

E depois desse beijo, apenas um beijo, disse-me, observa, com precisão astuta, apenas possível em raras criaturas, o meu esforço para me erguer, desajeitado, embaraçado, e a minha insolência de novo presente, como um Homem de ombros firmes e queixo erguido, de novo recordando a Arte do Orgulho de quem deve caminhar direito, e acaba por descobrir ainda melhores processos para a professar melhor do que qualquer outra pessoa.

Adivinha em mim como vibram os pensamentos, porque aspiro o seu perfume, onde foram abertas portas e como voltarão a ser encerradas. Bebe, sedenta, os meus silêncios, em tragos insatisfeitos, não imaginando que aquele beijo não é apenas um beijo para mim. Tem sempre um sabor intenso a desconhecimento, como caminhar na chuva gelada e eu nada saber disso. Mesmo que saiba da sua capacidade em obrigar a minha alma a dançar no Caos mais absoluto, não imagina como é pequeno o peito para conter o meu êxtase mais predador.

Abro os meus olhos em frente aos seus. Os meus, cientes da dimensão dos seus, que são Cósmicos.

De novo desejado. Abrigado. Falsamente indiferente.

 

 

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“Existem tantas noites quanto dias, e cada uma dura o mesmo que o dia seguinte. Mesmo a vida mais feliz não pode ser medida sem alguns momentos de escuridão, e a palavra feliz perderia todo o sentido se não fosse equilibrada pela tristeza”. - Carl Jung

 

Hoje, genuinamente tenho saudades. De verdade que hoje esta nostalgia, esta falta, se escreve dolorosamente em mim. Gostaria tanto de sentir o sossego das palavras certas que me garantem o caminho mais certo, entre as promessas que não desfaço e a ânsia de mais um dia que passou. Mesmo que sejam um castigo, estes labirintos em que insisto, teimo, caminhar, a maior punição chama-se saudade. Cinicamente. Saudades e nostalgias. 

Mas é estranho, por vezes gostaria de saber até onde conseguiriam chegar as minhas lágrimas, que sempre me afirmaram serem senhoras de muito consolo. E não consigo verter uma que seja! Não são nada. Nada! Nem sequer um raio na noite, por mais pequeno que fosse. 

Mais estranho, são demasiadas as vezes em que nestas saudades e nestas recordações, mesmo tracejadas dolorosamente, encontro uma profunda expressão do meu Amor por algo; mesmo pela minha mais áspera incerteza, entre o aperto desta emoção, é mais fácil para mim dizer que te amo. Bizarro e estúpido, mas todos somos animais de odes singulares. Um monstro não é igual a outro. Isso e apenas isso.

Sei ainda de odores e sabores, de olhos e sons únicos, não iguais a outros. Também aqui somos bestas diferentes. Também aqui poderia escrever-te o meu Amor.

Isso e apenas isso.

 

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