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...

 

Nestas últimas semanas talvez eu tenha sido um pouco mais para alguém. Assim quero crer. Talvez esteja a ser demasiado convicto, mas alguém, mais do que qualquer outra pessoa, conhece a minha teimosia e incapacidade de ceder sem combate. O veneno em que se tornam as minhas convicções.

 

Tentei que, em silêncio, conseguisse escutar o assobio do vento norte quando mergulha entre o gelo das montanhas mais altas que os seus olhos imensos já viram; há algo em si que não deixa adormecer a única noção de toque divino que consigo em toda a minha descrença, manter acesso. Uma pequena réstia de fantasia.

 

Mentiria de forma cruel se omitisse o quanto me destroçam as dúvidas sobre o seu futuro. Porém e enquanto escutava a música do seu rir no momento em que mergulhava no lago gelado ou entre o conforto ameno das palavras preocupadas, não me é possível riscar uma estranha emoção; como se naquele rosto cristalino e intocado fosse possível, palpável, pensar na eternidade; entre o roçar das toalhas que me limpam o corpo pelas pequenas mãos apressadas. É primordial para criaturas como eu trancar momentos assim: para que sejam eternos.

 

Reconheço-a igual a mim. Verdadeiramente mais perfeita. Essencial para quem a rodeia. Mas também igual a mim. Caminhante sem desejar um destino; apenas um porto para descanso. Uma fome voraz de sentir, que nos diverte secretamente e assusta quem se conforta em mais um dia de calor caseiro. Creio que me foi retirado um pedaço de alma em seu nome. Mas nunca me arrependerei.

 

E quando a noite se deitou ao nosso lado os ventos do norte conspiravam medos que apenas eu escutei. Enquanto dormia profundamente em cima do meu ombro, coberta pelo meu mais espesso casaco, mantive o fogo acesso e o calor que torna a sua face rosada. Senti ser um qualquer deus, porque naqueles momentos de cuidado vigilante sei que mesmo a morte se afastaria atemorizada. Envergonhada.

 

E uma vez mais, metodicamente previsível, observei a aurora a esbracejar. Uma vez mais o sono morreu em mim.

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 Sou uma criatura absolutamente convicta da importância dos sentidos. Quanto mais eu conheço pessoas mais me deprimo pela perda de uma faculdade como a observação, o cheiro, ouvir e o saborear. Abusa-se do toque. Apenas isso.

 

Creio ser irritantemente observador. Pequenos pormenores, tantas vezes executados todos os dias, são uma fonte de precisão matemática para os meus olhos. Gestos e expressões executados sem pensamento revestem-se de preciosidades paradigmáticas para vampiros observadores.

 

O erguer de um corpo do outro lado da cama banhado pela luz exterior dos dias cinzentos; as mãos delicadas levadas atrás apanham os cabelos longos e fartos, como se propositado para que as costas sejam admiradas em todas a suas saliências que se precipitam numa cintura assassina; antes de se erguer da cama, sempre e invariavelmente sem ruído porque criaturas existem que são panteras em excelência, provoca o espasmo de adrenalina máximo, rodando o pescoço branco e esguio, emitindo estalidos apenas escutados por ouvidos privilegiados. Nada se compara a este momento. Eu não teria remorsos e mataria por este momento apenas.

 

Tudo se revela compulsivo para os meus olhos admirados. A capacidade felina de movimento sem ruídos desnecessários, como se o chão não fosse seu. O cheiro a ervas nórdicas que resistentes crescem entre os blocos de gelo e que lembram os raros dias de sol, emana do cabelo lavado, provoca um ardor requintado nas narinas. Existem personificações que muito bem poderiam justificar existências onde a criação de mitos foi beber inspiração. Equinócios de energia bruta e perfeitamente capazes de ferir bestas rudes como eu.

 

Os esboços criados por criaturas passionalmente vorazes por atmosferas, experimentados na alquimia de fogo primário e franjas normalmente ignoradas pelo olhar comum, não conseguem prevenir o portento de observar na distância de um braço esticado, um corpo absurdamente ágil apanhando um copo de vidro em pleno ar e antes que este rebente em mil farpas no chão, sem que uma pinga de líquido precioso se derrame; que termine este rasgar de sentidos com o respectivo depositar do objecto em cima da mesa, de novo, com um ínfimo som, enquanto vai inconscientemente, atirando um grosso fio de cabelo para a nuca. Neste preciso momento, orgástico e aterrador para criaturas de sentidos apurados, as leis da física são ao mais baixo possível. Zero absoluto. Um fluir estético e inconsciente desta envergadura carboniza de maneira impiedosa qualquer outra forma de arte dançante. É como se eu fosse um grande urso impotente perante a destreza desmoralizante de uma pantera que se revela desconhecedora do martírio causado nos meus sentidos.

 

Uma arte aprimorada por quem não tenta destruir muros forjados na solidão e desconfiança de anos. Antes prefere saltar por cima destes. Que conhece a cor do individualista e mesmo assim prefere vestir as minhas camisolas, tirando prazer em sentir nelas o meu cheiro. Uma absoluta invasora que sistematicamente usa os meus óculos escuros preferidos, troca o borrifo do seu perfume pelo meu e impunemente prefere beber pelo meu copo e comer do meu prato, enquanto se senta em cima das minhas pernas.

 

São demasiadas as vezes que recolho as minhas mãos, acho-as demasiado grandes e agressivas, escondo braços grossos e densos, tremendo no receio de quebrar uma preciosidade única. Sei não existir outra assim no mundo. E eu não tenho espaço para muito mais.

 

 

 

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foto: Leff Jeffries

 

 

Se repararmos bem, existe quem viva para desafiar impossíveis. Quem transporte na expressão a falta de paz perante impossibilidades. Existem os que ouvem o segredar de impossibilidades de vida, tangências e silêncios forçados na expressão. Muitas são as vezes que, no agitar dos dias, se tornam diferentes; como barcos ancorados no seu próprio oceano. Mar dentro de sal e areia.

 

E não é possível esconder este desafio ao impossível. Não existe um rosto de olhares igual ao de quem sabe o que é uma impossibilidade e ainda assim mesmo, luta. Porque são sombras e também luz fina. Não apenas escuridão que oprime, mas recortes de luz ténue e silêncios de uma tirania distante. Tão longínqua como as lágrimas que não vertem.

 

Creio firmemente nas palavras dos rostos impossíveis, porque se dissolvem nas terras e nas casas. E camas. E rezas silenciosas. Quem mergulha profundamente na separação e esquecimento, mesmo assim afirmando "nunca esquecerei". 

 

E se repararmos bem, com olhos finos de atenção, poderemos ver claro como na luz do dia que o mundo, perante os que lutam contra o impossível, apenas continua a imitar os seus movimentos. Os seus gestos e eclipses são a fonte deste mundo. Por baixo de tudo, mesmo sem palavras que o justifiquem, seria insuportável para mim viver sem esta ideia de luta contra impossibilidades. De conseguir misturar-me com eles, nem que seja em pensamentos. 

 

Eu tenho essa certeza.

 

 

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 * Sintomas do Universo ... *

 

 

" O meu gato Morfeu é velho de muito ver. Sabe da vida dos pássaros e dos beirais onde descansam os seus ninhos; sabe dos insectos que escorrem pelos vidros da janela quando o sol ilumina de esguelha a casa; deixa que o olhar se perca no horizonte longe das estradas e ruas assombradas desde cedo; nada sabe de lógica milimétrica e muitas vezes parece não resistir a um bocejo, perante a minha ideia de que para os gatos o tempo parece ter parado; prefere a escuridão sem o peso do luto; sabe que dar demasiado irá alimentar o arrependimento, mas quando nos meus dias de céu carregado e sem chuva eu me canso de mim próprio, nunca parece arrepender-se de me ensinar a fugir do caminho da orfandade. "

 

 

" O outro gato chama-se Sigma e a alvura do seu pelo é aterradora. O silêncio companheiro deste gato cego de um olho é tão espesso que me deixa pálido; diante da minha previsibilidade reúne todos o momentos de ternura e protege-me como um abrigo de tempestades; existe nele algo semelhante a um livro a ser escrito com silêncios e paixões de tantos lugares; também parece não acreditar nas geometrias humanas e creio firmemente que me conhece demasiadamente bem; sabe como as ideias podem envelhecer dentro da cabeça bem mais depressa e antes de poderem ver o mundo e do confundir de segredos com identidades; sabe que confio demasiado na memória de cinzas, páginas em branco e cicatrizes, mas parece discordar em arrogância com a minha solidão. "

 

 

 

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" A solidão não é forçosamente negativa, pelo contrário, até me parece um privilégio. Talvez a minha solidão seja excessiva, mas eu detestei sempre as coisas mundanas. Estar com as pessoas apenas para gastar as horas é-me insuportável.",

Eugénio de Andrade

 

 O que mais me custa é a transição para este estado de realidade passiva. Não falo, sequer, da minha ineptidão para conseguir resistir aos momentos de sonho vividos nos últimos dias. São apenas reveladores do que eu já sei e nunca parece mudar: sinceramente, não sinto que faça parte ou seja elemento íntegro nestes momentos e atmosferas que me rodeiam. É demasiado fácil para mim adormecer nestes dias que passam; basta cerrar os olhos e fechar os pensamentos em penumbra. Tem sido rápido e fácil dormir com as memórias dentro de mim.

 

Creio que se revela menos doloroso pensar nas salas cheias de gente e cabelos a voar. No fumo que transforma o olhar em vermelho. Nas palavras a soarem malditas e escuras, enquanto voltamos a sair para viajar, para mais uma vez partilhar o vinho e a sensação profunda e mesmo  dolorosa de que a solidão se pode reduzir ao fio dos medos. Que na companhia se suporta a erosão de não pertencer ao que gira em volta. 

 

Nestes últimos dias de silêncio calado, no resumir fino de memórias em que me sinto intensamente antigo e em ruína, é demasiado fácil adivinhar que a distância serve para isto mesmo: reconhecer sem esgotar as lembranças de um outro mundo e universo.

 

Mas realmente nada se pode comparar a este começar devagarinho; a esta menção honrosa ao irresponsável sabendo que nem sempre se consegue ser responsável. É como fechar os olhos e deixar de resistir a um tempo que se voltará a aproximar e que não quero contido, mas com um rosto próprio.

 

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 " No edifício do pensamento não encontrei nenhuma categoria na qual pousar a cabeça. Em contrapartida, que belo travesseiro é o Caos!", Silogismos da Amargura, Emil Cioran

 

Terminou, por agora, o sonho. Mesmo esgotado física e mentalmente, é como se um pedaço meu tivesse sido arrancado com o fim da viagem. Nunca imaginei que fosse possível existir num estado tão puro de adrenalina, onde até o mero acto de alimentação é esquecido. 

 

 

Mas sei ser apenas o principio de algo. A viagem apenas começou e mesmo sendo forçado a caminhar assente na terra, sei agora que não vou parar. Nunca mais. 

 

Mais um corte. Mais uma verdade aprendida.

 

Resta apenas, e após este primeiro desígnio ultrapassado, testar o meu corpo numa outra prova. E finalmente confirmar se estes últimos anos me fortaleceram realmente. 

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 " E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.", Ernest Hemingway

 

 

Aprendi a conhecer o meu pai como um vinho, que num primeiro trago não se valoriza. Porque era muito jovem e sem piedade para a sua subtileza. Porque era apenas estúpido e achava que o vinho se apreciava logo num primeiro trago. Durante tempo em demasia ignorei o seu carinho discreto e sombreado pela sua incapacidade de aceitar a inutilidade da palavra a mais ou um gesto que não fosse sincero.

 

Tenho transformado a sua memória de maneira muito própria: metódica e finalmente deixando que surjam frestas informes para que deixe de ter segredos em mim. Quando se iluminam os recantos certos distingue-se quem, em dias de crise, suportou a esposa orgulhosa, num silêncio que hoje descubro, deslumbrante.

 

Se consultar com minúcia as notas em que mergulho a sua recordação, fácil se torna compreender porque somos tão semelhantes. Sangue do mesmo sangue. Um e outro. Também olhos verdes mas quase verde azeitona de uma tonalidade enigmática. Quando completei quinze anos e porque notou o meu interesse, ofereceu-me uma edição barata da Europa-América do Anticristo de Nietzsche, que ainda hoje descansa ao lado da minha cama, com a capa muito gasta e as páginas já amarelas. E é velado por Ernest Hemingway  nos sinos que dobram. Apenas agora compreendi porque era este o seu escritor de eleição. Porque decidi procurar onde nunca o fizera.

 

Quero que nunca morra este pensamento e recordação. Que fique definitivamente gravado em mim a memória de quem primeiro entrou no meu minúsculo apartamento ali para os lados do largo da graça, quando a solidão assumia as  tonalidades instintivas da afirmação "estou aqui", se sentou em frente a mim, que queria ficar homem demasiado cedo, e partilhou o queijo, o pão escuro, as nozes e o vinho em cima da única peça que existia naquele quadrado diminuto a que chamava sala: uma toalha azul. E jamais esqueci o cheiro do seu perfume naqueles momentos. Também foi naquele dia que percebi quem era o meu pai.

 

Quando anoto o que me preocupa insisto na sua persistência em nunca falhar nas suas promessas. É fácil sentir a sua despreocupação com o cabelo solto que sistematicamente penteava para trás do rosto com os dedos abertos das mãos enquanto fixava aquele olhar felino que revelava como muitas vezes iriam terminar as coisas e acções.

 

Creio que ao falar dele falo de mim. Acaba por ser uma necessidade de vida insistir em conhecer o sabor da sua energia tranquila. Nada voltará a comparar-se ao seu silêncio subtil. Sei disso agora.

 

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Eu nunca tento observar a diferença entre realidades. Deixei de o tentar há anos. Creio que se continuar a insistir se converterá num daqueles magnânimos passeios de fim de tarde, envolto no pó de mais um dia. Arrelia a vontade de persistir e tudo, rigorosamente tudo, o que causa é deslocação. Nunca se ganha nada.

 

Existe então esta minha sujeição não voluntária a certos maneirismos psiquiátricos: como as sombras.

 

Por um lado, sei da intermitência das coisas e dos afagos da consciência benévola. Nunca está limpa das comoções que abalam as linhas traçadas. É uma realidade que por norma desprezo. Viver dentro dela é um estado aceite, mesmo que sofrido é aceite.

 

Mas tenho confirmado que o que comanda está absorto na sua própria sombra. Uma treva entre braços conscientes e permissivos, mas demasiado potente e necrotizante na sua vigília. Vagueia absorta no escuro - embora plenamente consciente de quem comanda quem. Tudo o que resta é deixado ao abandono para que se torne ferrugem. 

 

O processo de aceitação não tem sido um caminho de rosas. Mas falar com as suas lâminas deixou de ser doloroso para mim. De facto, a ideia de não conseguir beber neste comando a força de persistir é cada vez mais inaceitável. Algures, num qualquer lugar, alguém me garantiu que este não é o melhor caminho. Antes o lugar onde se criam os monstros. Na altura fiquei sem palavras. E aterrado. 

 

A solidão assustava-me. Não pelo isolamento físico. Mas porque sempre a casei com o severo pensar dos que se entregam sem condições.

 

 Enganava-me. 

 

Foi como sentir o frio e o abraço fraterno das ilhas Aleutas. Tudo se uniu. Como um deslizar na cama e um sono regenerador. 

 

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 Sonhos ...

 

 

Creio ser Novembro o culpado. Acontece tudo neste mês. Entre pedaços retorcidos de tarde de maçã e café escaldante, tudo parece acontecer em Novembro.

 

Temo que os teus passos lentos no concreto cinzento se tornem mais passageiros e desconhecidos. O frio de Novembro é já uma alegoria profana nos ossos. E principiou suave e diminuída, para crescer num abandono de sombras e ecos.

 

Nuvens ...

 

Humanos completos não acreditam no infinito dos números. É uma ideia. Um conceito escolhido como vida. Pequeno relampejar que não passa disso mesmo. Memórias de um carinho materno ou um estalar amante. Um infinito humedecido pela saliva da língua de um cão. Pequenos pontos de luz que se apagam quando deixamos de acreditar na eternidade. 

 

Novembro também se alimenta deste infinito. Já o disseste vezes de mais.

 

Natureza ...

 

Todos os contos deveriam começar por: " Era uma vez no Inverno ...", porque seriam o espelho exato da expressão com que beliscas o inicio dos dias. Deixei de odiar o rigor frio da tua certeza. Estranhamente, algo em ti se tornou caloroso. A animosidade da besta deu o seu lugar a um concordar lato e frágil, próprio das criaturas agora confortáveis com o passar dos anos. 

 

E entanto, aquele ponto sombrio oscila entre as sombras. Permanece. Mesmo contra a vontade manifesta e programada de que tudo ficará bem e como sempre deveria ter sido. E no entanto são mais as vezes em que observo um olhar raso e afastado do que o brilho da certeza absoluta.

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Luscinia, pequena luscinia ensina-me agora. Fala-me da força. Enquanto deixo esta revolta a marinar entre os sucos da tua persistência. Os dias e as noites, afinal, são reservados para ti. Um muito modesto acenar ao teu lugar. Demasiado modesto, se me perguntas.

 

Tristeza, conta-me os seus tremores.  Enquanto brilha essa melancolia fortuita - que o senhor de chapéu de coco preto e nariz vermelho procura o teu sorriso entre palmas e truques de faz-de-conta. Estou perdido pequena luscinia, sabes disso? Mesmo entre o aconchego dos teus dedos na minha palma, não quero reconhecer-me.

 

Não é tua condição reinar na chuva. Nem sequer aos teus olhos passearem afoitos entre a sabedoria das sombras. Não. Não te é permitida tal condição. De alguma maneira, insistes em reescrever a minha razão, duvidando. Não és igual a nada ou ninguém, pequena luscinia. Em ti a escuridão está ausente. Atlas abriga a mão na tua face e descansa. Envergonhado.

 

 

 

 

 

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