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Primeiro o café, como uma poção de magia negra. Muito quente e forte. Escuro como as noites do Norte. O aroma enche a sala e agita os meus sentidos - entre a euforia que cresce em mim e a sensação que se torna vizinha à flor da pele fria.

Liquido negro e espesso, pleno no seu convite à paciência nas manhãs onde tudo é gelo e o frio glaciar; a escaldar, aquecendo a memória e o corpo. Despertando a consciência enquanto vai abrindo de par em par as portas de certos sentimentos - quase mortos e em necessidade de despertar para que se afastem ideias impacientes.

A seguir ...

Depois poisa a larga travessa de porcelana branca. Ali. Junto à chávena de barro escuro consagrada pelo liquido negro.

Os biscoitos são largos. Uns mais escuros e outros mais claros. De chocolate também negro. Mesclado com morangos silvestres, doces como mel virgem e mergulhados na canela de um cheiro tão presente que quase obriga a um salivar obsceno. 

São os meus preferidos.

Porque me recordam outros dias onde nada perturbava o meu pensamento e certeza de que tudo seria como eu ansiava: perfeito.

Gosto de os morder  frios para combater o calor do café. E sempre detestei doces quentes, principalmente estes. E sei o que irá suceder quando os mordo. Sei da serena certeza de que se irão desfazer na minha língua embora brinquem com a visão,  simulando dureza. Conheço-lhes a textura macia e divina, impregnada nas minhas recordações. Conheço-lhe os caminhos e como conseguem tornar certas manhãs, juntos a um café coado na perfeição, numa suprema arte de capacidade humana.

Alguém me disse antes que estas são as mais do perfeitas condições para alimentar as virtudes de uma certa pacificação.

Creio que não. São antes as mais do que perfeitas condições para alimentar a minha necessidade de imaginar pertencer a algo. Que naquele ardor a escorrer pela garganta, naquele saborear e cheiro quase proibidos, consigo agarrar algo que me  pertence - principalmente, algo que consigo manter intacto nas memórias que, com um talento maquinal, insisto em destruir. 

É nessas manhãs quando o sol não se atreve a brilhar, quando tu, ela, eles, elas, mal se atrevem a sair da cama quente, enquanto me deixo encantar por sabores e cheiros e memórias, quando olho para a neve lá fora, que gosto de aquecer este pequeno pensamento ...

Se calhar, de tudo o que aparentemente tenho, algo disso é realmente meu.

 

 

Já foi mais fácil a despedida. Muito mais simples quando tudo parecia girar apenas na minha própria órbita. Bastava olhar em frente e simplesmente imaginar o afastamento. Conseguia permanecer naquele estado de ignorância, e descansar o pensamento num quase sereno torpor velado pelo absinto do meu próprio direito ao isolamento.

Sim. Era bem mais fácil dizer adeus.

E não porque brilhe em mim a glória da descoberta dos segredos deste mundo - as portas da muralha não estão abertas, e assim, um furor de gente não chega para me abraçar e embalar gentilmente.

Mas, porque afinal parece que estas coisas não nascem do éter, antes caminham cuidadosas e silenciosas, creio que são emoções que se revelam por pequenas incisões na alma - mesmo no mais profundo egoísta. Cínico.

Umas mais extensas. Outras bem mais curtas. Algumas mais antigas. E também mais recentes. Mas todas lacerantes e profundas, como permanecendo vivas e respirando em mim. Ao ponto de troçarem do pragmatismo, enquanto vão adormecendo na obstinação; enquanto vão semeando o pressentimento que esmaga quem se despede.

Para mim ficará sempre o sabor intenso e desperto de quem prova algo raro e de estranha alquimia. Em pequenas porções, e para que resista ao desvanecer do tempo e permaneça comigo - alimento e calor para outras criaturas.

Agora, dizer adeus será tão difícil como sussurrar uma verdade inatacável ao ouvido. 

Mesmo que para trás fique o silêncio e a escuridão de um lugar como cenotáfio de memórias.

 

 

 

Recuso-me ...

 

Porque sei perfeitamente da ânsia humana que prefere destroçar a liberdade pessoal, o livre arbítrio, pela ilusão da segurança e protecção. E sei afinal, que são estes os primeiros passos, que depressa se converterão nos fundamentos e ideologias totalitárias, para o fim da minha individualidade e livre pensamento.

Não lamento sequer os que cegam perante o peso da sua própria responsabilidade ao ponto de ceder o terreno a um governo e ao seu vaticinar de rotinas e novas obrigações, copiosamente assentes numa bizarra e cancerosa democracia.

São, desgraçadamente irónicos certos momentos na nossa triste existência. Mas nada se revela mais mutilante do que a indiferença - em nome de uma falsa tranquilidade. Em nome de um olhar para o lado. Em nome de um delegar de poder para decidir. É como uma cegueira colectiva a um tumor que cresce em proporções gigantes.

Primeiro - todas as palavras que suscitem contradição ao imposto pelo estado, todas as opiniões que revelem descrença no método ou discurso governamental, serão apagadas de qualquer plataforma de suposta liberdade de expressão.

Segundo - proibição de qualquer manifestação pública de desagrado com as exigências do estado, porque serão retórica de insubordinação.

Terceiro - encerrar todas as criaturas em suas próprias casas, impedindo-as de circular para outros locais, forçando-as a estar afastadas dos seus entes queridos é uma forma ardilosa de fomentar o medo do estado e um ensaio valioso para uma futura ditadura sem recorrer a tanques e exércitos.

O medo é uma deliciosa poção mágica!

Quarto - não acreditar que existe uma epidemia, quando todos os dias as suas consequências nos são esfregadas nas ventas, é um preceito absolutamente crasso e de uma ignorância tão tacanha que nada torna mais fácil o impor de uma "nova normalidade".

Quinto - a dúvida é o maior atributo dos seres racionais! E terá sempre de existir um lugar para os que aceitam uma injecção, mesmo não havendo certezas absolutas sobre os seus efeitos nocivos nos próximos 5 - 10 anos;  bem como lugar para os que se recusam a aceitar-la pela incerteza dos efeitos, sem que corram o risco  de se converterem em marginais. Sem um obsceno código para mostrar e assim conseguirem a sua já condicionada liberdade.

Sexto - "As massas nunca se revoltarão espontaneamente, e nunca se revoltarão apenas por serem oprimidas. Com efeito, se não se lhes permitir ter padrões de comparação nem  sequer se darão conta de que são oprimidas.“ -  George Orwell

 

 

 

 

Eu ...

Norte ...

(999)

Quando terá sido a última vez que um estranho, olhando para mim, não tenha permanecido com aquele sentimento que persiste após observar algo bizarro? Como se procurasse evitar-me e ao mesmo tempo, cedendo à tentação de ser polido e educado, tudo fizesse para disfarçar o indisfarçável. São uma grande maioria: das poucas pessoas com quem devo cruzar-me e conviver. Talvez assim sejam estes os momentos em que melhor consigo perceber a minha dificuldade em baixar defesas e desconstruir muros.

Porque motivo não me orgulho deste facto é um reflexo intensamente cristalino de uma realidade que aprendi, porque tem de ser vivida para ser aprendida, a sustentar, sabendo que me é impossível preencher as expectativas que parecem nascer a um ritmo obsceno nas pessoas que me observam pela primeira vez. Sistematicamente presentes.

Porque razão jamais cederei à tentação de acomodar em mim as dissipações mais básicas, onde temos, necessariamente, de padronizar o que somos para que outros aceitem um pingo da nossa integridade pessoal, está escrito em letras pessoais e escritas em sangue no meu próprio catecismo - não o farei porque me reconheço incapaz de ceder as minhas emoções a estas pessoas.

Porque não existem espaços amplos e soalheiros em suficiente quantidade em mim para desperdiçar com outros que não um número restrito de criaturas; porque sei das minhas limitações e incapacidade  de abrir os braços a toda a gente.

Sei deste egoísmo que me leva à tentação de apenas suportar aqueles que me olham com um brilho de reconhecimento nos olhos. 

Sei.

Porque me apaixono intensamente por poucos - os que me reconhecem nos momentos em que bailam nos olhos as melodias do crepúsculo mais sereno. E os que nunca deixaram de verdadeiramente amar-me quando brilham nos meus olhos as imprudências da minhas sombras e do meu cismar.

São estes poucos, tão poucos, que realmente me conhecem - despido e sem defesas.

São os que realmente valem o meu amor egoísta e apaixonado.

 

 

 

As minhas paixões são como chaves presas em fechaduras - aguardam apenas um primeiro, por vezes suave sintoma, para atear fogo aos dias e noites. Alguém me afirmou solenemente que seriam a minha derrota e queda. Talvez porque consomem muito da minha raiva, do meu ódio e principalmente da minha adoração - às vezes excessiva.

É estranha a melodia que entoa entre uma paixão e outra. Consigo, apaixonadamente, olhar-te nos olhos e afirmar-te que nada neste mundo permanece eternamente; tenho a certeza da verdade axiomática, tudo o que adoramos e odiamos acaba por morrer; da inutilidade e razão de continuamos a tentar teimosamente rezar perante um Deus de Nada. Surdo.

Consigo.  

Como se estas fossem paixões últimas e definitivas.

Mas há outros olhos e mais palavras à minha frente que não aceitam despedidas; nem sequer últimas palavras. São como paixões com o sabor requintado de um vinho temperado pelos anos e colheita experimentada. São a negação aos meus instintos mais espessos. O rodar exímio da chave.

Os afectos tangíveis são os mais violentos para a alma. O Universo retém o suspirar no preciso instante em que a palavra "amo-te" é sussurrada ao meu ouvido. E a ponta da língua húmida embala o meu ouvido e os meus sentidos. Tudo em estado puro.

Quando, nos dias em que o céu está claro e a terra cinzenta,  me sento no patamar das escadas e coloco os pés de botas pesadas em cima corrimão, deito o corpo para trás e vou bebendo lentamente o café negro e a arder, enquanto aspiro o odor intenso do amanhecer violento e frio do Norte, apaixono-me uma e outra vez pela solidão daqueles momentos em que tudo se silencia ainda. Esta é a paixão do egoísta mais expresso, onde tudo se torna possível pelos sonhos. A mais perigosa das paixões, porque é senhora e ciumenta.

Podemos não regressar desta paixão e solidão.

 

 

 

 

 

A luz que clarifica a mente é fugaz - tão breve como aquele precioso momento em que os olhos se cruzam e a certeza, essa eterna fugitiva, entra de rompante! Sem aviso. Sem presságios de sorte ou azar. Chega. Apenas isso.

Pode ser uma mensagem ou uma acção. 

Ou então uma presença na hora exacta em que a mente se desprende de tudo. No preciso instante em que anos de vida se conseguem comprimir nos minutos em que, tudo conjugado, se consegue criar a alquimia suprema, ainda que isso signifique, aceitar que chega, o fim é necessário.

E está em frente aos olhos. Subitamente radiosa. Intensamente gigante. Impassivelmente pura. Cega. 

O muro deixa de existir para este clarão. Fica desfeito em segundos e com este pulverizar a nossa verdade passa a ser a sua.

Existem iluminados que abrem os braços a esta epifania como Amor. E são tantos! Todos eles cobertos de certezas.

Eu não. E creio que deveria lamentar. Mas eu não. 

Eu nunca acreditei neste luzir como Amor. Não. 

Porque sempre me consumiram paixões que quero raras - porque me esgotam e me atiram para águas sem fundo. Não é Amor. Não pode ser.  

É demasiado lancinante quando um corpo se une a outro. E sempre acreditei, serem estes os momentos raros e preciosos onde consigo tocar algo que se aproxima perigosamente de uma intensa e estranha chama divina, que se esconde dentro de mim.

Como pode uma presença eclipsar todas as fibras de defesa mental ainda me custa conceber. Como podem os dias frios respirar um calor tão intenso que se torna patético aos meus olhos, ainda hoje quero uma resposta.

Talvez eu esteja errado e sem retorno possível. Talvez afinal este seja um outro Amor. O meu. Que gosto de afogar na minha paixão quase obscenamente carnívora. O meu. Que alimenta as minhas esperanças.

Enquanto recolho a semente de tantos orgulhos dobro o joelho e baixo a cabeça.

Vale a pena. Por esta luz que aclara a mente. Mesmo que fugaz tantas vezes, respira-se em união.

 

 

 

 

 

(999)

....

"É preciso ter o Caos dentro de si para gerar uma estrela dançante."

Friedrich Nietzsche

 

Existe um elemento vital nessa beleza que a torna quase etérea aos meus olhos. Seria melhor para mim aceitar este facto e sentir toda a alegria do olhar e da presença.

Mas não. 

Porque sou como um pesado Urso olhando pelas franjas da minha falta de jeito a sinuosa Pantera que parece caminhar sem chão, leve e quase arrogantemente displicente. Como se eu fosse uma rocha incapaz de algo que não seja força. Força para me mexer. Esforço para me levantar e erguer o queixo. Forçar à força.

Por vezes fico cristalizado na minha própria decadência. Rendido ao instinto primário de quem olha impotente, incapaz de outro gesto de salvação que me ajude a dispersar a magia de certos momentos, que sei perfeitamente serem únicos e nunca mais reproduzidos. 

É parte fundamental do olhar não deixar que se esqueçam gestos que parecem pertencer unicamente ao cardápio de certas criaturas talvez não humanas; como se tais gestos fossem propositadamente expostos aos meus olhos cansados para despertar em mim a frustração. 

Os meus sentidos descrevem, sem alarido, a esquemática dessa beleza, quando ela se inclina com a velocidade do vento e apanha o copo de vidro em pleno ar, antes deste se desfazer no chão, colocando-o, quase sem interesse, de novo em cima da mesa, enquanto com a outra mão suavemente puxa o cabelo longo e denso para trás de uma orelha.

Neste momento raro e único, nos gestos felinos e estranhamente silenciosos, se humilha a força. No sorriso rasgado de quem sabe dos seus caminhos, na mais perfeita noção do medo masculino: A confirmação do equilíbrio mecânico do corpo quase imponentemente belo aos meus sentidos, com a inteligência que transpira daqueles olhos intensamente femininos, que transforma tantas vezes a criatura que é o masculino. Fraco e desajeitado. Inábil.

Permaneço tantas horas neste absurdo estado de embriaguez enquanto vou solicitando mais e mais reservas da minha rendição, sento-me ao seu lado enquanto dorme. Vigilante na sombra da noite que vai longa. Sinto que respira suave porque afasto com mãos grandes, tentando ser leve como ela, os cabelos da sua face delicada, vou enchendo a minha insónia com a atenção e o medo, enquanto guardo aquele sono que não é meu mas que desejo proteger.

Do quê? Pouco me interessa naquela escuridão.

É como guardar o mais precioso e belo que tenho. É como se afinal tudo faça sentido e também exista algo de belo na ideia  da força como protecção na fragilidade da Pantera.

Não sei. 

Mas sei que nesta beleza mora a resposta para esta necessidade quase sufocante que sinto de a proteger. Mesmo sacrificando os meus instintos mais básicos. Contra a minha natureza mais elementar.

 

 

 

A esperança é velhinha. Tão velhinha que prefere esconder-se dos olhos alheios, enquanto permanece silenciosa e surda para os dias que passam, como correntes de ar que prefere evitar. A esperança é velha e doente. Fraca e caprichosa.

Mas eu gosto de a procurar nos seus esconderijos. Gosto de pensar nela nos dias em que consigo ajeitar o tempo e descansar; nestes dias preciosos porque escasseiam em mim, sento-me nesta cadeira que abana sem ruído e pergunto-me por onde caminhará esta velha  decrépita. Para o descrente pouco impressionado a esperança é um prazer raro, secretamente obsceno e escondido nas sombras da alma. Como uma presa debaixo do peso austero do predador, apenas por breves instantes respira e regressa taciturna, e eu gosto de lhe abrir a porta.

Às vezes são chaves que abrem a fechadura forjadas em estranhas alquimias; por vezes palavras escritas por punhos de aparência frágil que  transformam Universos e onde ao longe, bem distante, brilha a centelha envelhecida de uma qualquer vaga esperança.

Ou então, no mero sacudir de sombras, rompendo o silêncio, invadindo os meus espaços com o estranho néctar da companhia. É neste labirinto que mais se torna dolorosa a esperança em mim, porque se afastam as horas sombrias que amo e surgem traços grossos de luz  que vão iluminando outros caminhos. Vou abanando a cadeira assustado - porque a esperança em excesso personifica um rasgo doloroso na minha armadura.

Sentado na cadeira de baloiço silenciosa, gosto de envolver com os dedos a chávena de café  densamente negro e a escaldar, enquanto escuto os passos esperançosos, em silêncio. Temo que qualquer som a faça abandonar-me para sempre. Receio não conseguir regressar à nostalgia de me sentar ao teu lado, junto ao mar, enquanto escutas o murmúrio das minhas notas retiradas do catecismo de sombras que tanto amo.

Nestes minutos raros e únicos no seu sabor sou um animal agachado que sente a leveza em cima dos ombros, ainda que sejam apenas breves momentos, deixo que sussurre ao meu ouvido as suas preces e feitiços.

 

 

Michael  Ackerman

 

A capacidade de sentir saudades é uma das maiores tragédias humanas. Sempre dolorosa, mesmo que, supostamente,  alimentada por pensamentos agradáveis. Raramente misericordiosa. Frequentemente rancorosa.

Quando se misturam saudades com fugazes momentos de nostalgia vamos queimando recordações, morrendo um pouco de cada vez, suportando a promessa nunca cumprida, aspirando um pouco mais.

Recordo-me das saudades que me queimaram tão vorazmente nos dias em que a voz sinuosa não segredava a palavra "amo-te". A sua ausência é um labirinto que se precipita num vácuo indescritível para criaturas como eu. Como se torna possível uma mera descrição de um estado emocional, quando ausente, conter em si uma saudade tão latejante que se torna fisicamente dolorosa, nunca conseguirei entender. Como se consegue preencher o espaço vazio da fragilidade nascida desta necessidade  de sentir que pertenço a algo sem me sentir ameaçado pela incredulidade, todos os dias me consome. Devora lentamente. Principalmente quando a noite se estende sem a presença de quem sei, seguramente, conseguir dar-me abrigo.

Mas talvez a saudade seja também o vigor daqueles que nunca ficarão realmente sós. Talvez seja mais um caminho seguro para voltar à casa distante, na companhia da nostalgia do sussurrar de quem acredita em mim.

Talvez a tragédia da saudade seja o preço que pago a quem ainda hoje acredita em mim.

Ainda que pague dolorosamente esse preço para escutar a melodia "amo-te".




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