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A primeira impressão nunca é de confiar. Como  pode ser  e acumular um todo apenas no relance de um primeiro olhar? Recordo-me da entrada na sala onde eu estava já sentado há horas. Nem o fumo que pairava nem sequer os sentidos entorpecidos pelo vinho foram capazes de impedir que os meus olhos fixassem a silhueta vestida de negro que passou em frente a mim. Cometi o erro colossal de tentar absorver tudo de uma vez. Como um esfomeado de dias que tenta comer tudo o que o prato contém e sufoca. Genuinamente os meus ombros caíram e os olhos cresceram! E lembro-me do aperto imenso e doloroso que rasgou o meu estômago porque vi o rosto de olhos negros ( uma escuridão que embriaga) e os cabelos longos, sinuosos e tão intensamente escuros que mesmo naquele lugar de falas, risos e ruído ensurdecedor brilhavam!

 

Acordei.

Lembro-me de de pôr os cotovelos em cima dos joelhos dobrados. Inclinei-me para a frente e deixei de escutar há minha volta. Pude ver a pele nórdica branca. Não. Alva. E uns lábios grossos que se rasgaram e mostraram uns dentes grandes e muito brancos! Por fim um sorriso imenso, como se já há muito me conhecesse! No topo de um pescoço esguio e de um corpo coberto por um vestido negro até aos pés.

 

Existem marcas no meu corpo. A maior parte por mim mesmo infligidas. Mentalmente, tenho aprendido alguns truques para suportar punição. Porém, aquele foi um dia de destruição maciça. Não num primeiro olhar. Mas no excedente emocional que muito sinceramente pensei ser impossivel sentir. E existem visões que mesmo para um animal de sentidos como eu podem encher um universo.

 

 







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