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Talvez a paciência até seja uma virtude. Se calhar algo bem maior do que isso. 

Não sei.

Para mim não é. Não se trata de um sentimento benévolo para nada. Não acredito na paciência como privilégio para sustentar a ilusão de que me tornarei melhor - que assim o mundo se tornará mais sereno e pacifico. 

Deus! Que erro colossal!

Ser paciente é aceitar o açoite do teste e a persistência de oferecer a face para mais uma bofetada de quem saberá usar este sentimento para nos enfraquecer. Hoje uma bofetada - amanhã um soco - depois um pontapé. E o coração deve continuar paciente como se uma virtude destas fosse o nosso respirar.

Mas mesmo nos testes mais intensos, sistémicos, corrosivos da minha capacidade de tolerância, existe aquela patologia, incapacidade para impedir que aconteçam os pequenos momentos de cedência involuntária. Cedo alguns preciosos momentos ao sabor de outros passos - ainda assim, sabendo que se esgotarão naquele torvelinho de inutilidade e arrependimento por tal cedência - eu insisto porque não consigo resistir a uma certa mutilação que consinto.

E no entanto, em raros espasmos, esta patologia de preciosos momentos de paciência prolonga-se; consigo estender-me e deixar que se alonguem numa sonolência de sangue e pensamentos. Acabo por encontrar a sedenta justificação para não resistir a estes minutos de auto mutilação emocional, como que necessários para uma qualquer cosmogonia que ainda desconheço. Nascido da minha incapacidade para compreender tantos e tão vastos argumentos para tamanhos oceanos onde habitam os pacientes intratáveis.

Talvez porque não sei nadar nestes mares.

 







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